sábado, 22 de setembro de 2007

Adjetivos

Essa semana tive a oportunidade de ir assistir a uma apresentação do espetáculo “Alegría”, do mundialmente conhecido Cirque du Soleil. Sim, a palavra correta para o caso é “oportunidade”. Não, eu não ganhei na loteria e não sou milionário. Não que quem tenha condições de pagar um ingresso para o espetáculo (os valores das entradas variam de R$130,00 até R$400,00 aqui em Curitiba) seja necessariamente um capitalista selvagem. Apenas acho que seria uma loucura um universitário bolsista pé-rapado que nem eu, desembolsar tamanha quantia de dinheiro. Pude ir, graças a uma boa ação da empresa que trabalho, que num gesto de incentivo aos funcionários, bancou todos os ingressos.

De qualquer forma, deixo claro que não pretendo contar aqui minhas impressões a respeito do espetáculo. O que me motiva a escrever esse devaneio é outra coisa: fui acusado (injustamente, que fique bem claro) de não ter curtido o circo. O motivo? Minha falta de originalidade na hora de adjetivar o que tinha visto.

***

-Quer dizer então que você foi no Cirque, né José?

-Sim. Fui sim!

-Mas e aí?

-Aí o quê?

-Ora... como é que foi?

Esse é o tipo de pergunta difícil de ser respondida. Não parece, mas é. Pense comigo: como compilar duas horas e meia de espetáculo em uma frase curta ou em uma única palavra, em um único adjetivo? Como conseguir retratar através disso todos os inúmeros fatos que você presenciou e suas impressões a respeito? Eu até que tentei:

-Ah... Foi bom!

Silêncio. O interlocutor fica me encarando, como que esperando o desfecho de meu relato. Eu, fico impávido.

-Bom?

-Sim!

-Como assim?

-Foi bom, ué?! Divertido!

-Cara: você vai ao melhor circo do mundo, e tudo o que tem a dizer é que foi “bom”?

-Sim.

-Ora! Me poupe! “Bom”? Isso lá é adjetivo que se dá a um show desse porte? Seja mais esforçado...

-Tá bom, tá bom!

-E então, como é que foi?

-Muito bom.

-Ahh Zé!

-O que foi?

-Muito bom? Você não gostou, não é?

-Gostei sim. Claro que gostei.

-Então como é que você tem coragem de chamar isso de “muito bom”? Seja criativo.

-Ué? E “muito bom” não serve?

-Serve, mas é pouco. “Bom” é o cirquinho de lona que a cada dois meses monta acampamento lá perto de casa. “Muito bons” são os circos que viajam pelo país. Mas você está falando do Cirque du Soleil. O melhor do mundo. Nem parece que você assistiu!

-Ok, desculpe. Não sabia que isso era errado.

-Errado não é! Mas isso lá é adjetivo que se dê? Francamente, hein José!

-Já pedi desculpas.

-Eu sei. Mas vá lá: prossiga!

-Com o quê?

-Com a descrição, né? O que mais poderia ser?

-Ah ta... Bem... O show tem números muito legais. É tudo muito bonito. Muito bem feito.

-Sei. O que mais?

-Ah... É tudo muito... Muito... Muito bom!

-Você está me sacaneando, né?

-Não! Mas é que a verdade é essa. Eu achei muito bom.

-É o melhor circo do mun...

-Eu sei que é o melhor do mundo, você já falou isso uma dúzia de vezes. Mas é que na minha escala de elogios, “muito bom” é algo muito... Muito bom, sabe?

-Não concordo. Olha, a gente é amigo. Pode abrir o coração. Você não gostou do show, não é?

-Já disse que gostei!

-Não é o que parece.

-E o que interessa para você saber se eu gostei ou não do tal circo? Qual a diferença que isso faz, afinal de contas?

-Esse é o melhor circo do mundo!

-Eu desisto...

-Quer saber? Chega... Continue contando como foi. Como você mesmo disse, não me interessa saber quais suas impressões. Quero os detalhes, só isso. Prometo que não vou interferir.

-Sei. Vou fingir que acredito.

-Pode apostar. A partir de agora, sem interferências. Mas do que você mais gostou afinal de contas?

-Ah... Os malabaristas são ótimos, o número do trapézio é super bonito. Tem umas meninas contorcionistas, um cara que faz acrobacias com fogo... Mas o mais bacana mesmo, foram os palhaços.

-Pára tudo Zé!

-O que foi agora?

-Você vai ao maior circo do mundo e diz que preferiu os palhaços?

-E qual o crime nisso?

-E não é óbvio? Eles têm artistas únicos. Profissionais que fazem acrobacias que mais ninguém no mundo é capaz de realizar. Desafiam os limites do corpo humano. Você assistiu a tudo isso na sua frente, a uns poucos metros, e diz que o que o circo apresentou de melhor foram os palhaços?

-Não disse que foram os melhores. Disse que foram os que eu mais gostei.

-E qual a diferença?

-Tem artistas mais completos no show, isso é fato, mas o número em que eu mais me diverti foi o dos palhaços.

-Não concordo.

-Concordar com o quê, homem de Deus?

-Com esse seu desprezo a um espetáculo tão fabuloso.

-Eu não estou desprezando porra nenhuma!

-Calma... Não se estresse!

-Como é que não vou me estressar se você fica falando um monte de abobrinhas? Quem foi no show fui eu, quem assistiu a tudo fui eu, portanto, só eu tenho o direito de afirmar se o espetáculo foi bom ou não. Eu uso os adjetivos que quiser, e ninguém tem nada a ver com isso, entendeu?

-Mas José: você não está sendo muito ameno nos seus elogios? Pense bem. Esse é o melhor circo do mundo e...

-Quer saber? Chega! Desisto! Juro que tentei agüentar, mas não deu.

-É que você parece muito desanimado. É até natural que alguém que tenha gasto uma nota preta num ingresso, como é o seu caso, acabe se decepcionando um pouco e fique com uma dor na consciência, pensando: “puxa, paguei tão caro e o circo não era isso que eu esperava!”

-Mas eu não paguei nada. Fui de graça.

-De graça?

-Sim. A empresa pagou nossas entradas.

-E você ainda tem coragem de reclamar?

-Como?

-Você está reclamando de um espetáculo que você nem ao menos pagou pra assistir? Que moral você tem pra falar alguma coisa, hein?

-Mas eu não estou reclamam...

-Isso é o cumulo do absurdo, José! Você menospreza um espetáculo desse porte mesmo sem ter desembolsado um centavo para assisti-lo. Como você tem coragem?

-Eu não menosprezei nada e...

-Você é um ingrato, ouviu bem? Um ingrato!

-Mas eu não queria ser ingrato. Desculpe!

-Quer saber José? Chega de conversar com você! Você vai ao melhor espetáculo do mundo, e não valoriza isso. A ingratidão é algo muito feio, sabia? Além do mais, você teve a coragem de dizer que odiou o circo.

-Mas eu disse que era muito bom!

-Tá vendo? É ainda pior! Está mentido! Diz uma coisa que obviamente não condiz com seus gestos. Acha que sou bobo?

-Por favor, me desculpe e...

-Chega! Outro dia a gente se fala. Quem sabe você tenha uma crise de consciência e perceba o gesto de ingratidão que está cometendo. Adeus...

O fulano vira de costas e me deixa ali, tentando me justificar. Eu ainda tento reagir... Em vão:

-Ei! Volta aqui... Era espetacular, ouviu bem? Espetacular!

sábado, 15 de setembro de 2007

Balanço 4

Fazia tempo que eu não aparecia. Tempo mesmo. Nem me lembrava ao certo da última vez que tinha publicado uma postagem. Sendo assim, resolvi aparecer “pessoalmente” aqui dar satisfações de como andam os dias desse dublê de blogueiro. Muita gente me ligou perguntando como eu estava ou como iam as coisas... me senti na obrigação de interromper a seqüência de “crônicas” que escrevi nos últimos tempos, para dar voz a mim mesmo, e contar em que pé anda a vida deste Zé. Chega de ser o narrador onisciente, pelo menos nessa postagem .

Aos interessados digo que está tudo muito bem, obrigado. A vida está numa fase ótima nos mais distintos e fascinantes pontos de vista. Realmente não tenho do que reclamar. Aliás, tenho sim: falta de tempo. Pra variar, ando completamente atarefado, e isso tem me tirado horas preciosas que pretendia utilizar na criação de novos projetos. Bem que Deus poderia pensar naquela minha idéia de criar uma lojinha que vendesse tempo. Enquanto o todo poderoso não analisa a proposta, cabe a mim continuar aprendendo a lidar com essas 24 horas diárias que tenho à minha disposição. É pouco, mas serve.

O blog também está me trazendo bons motivos de felicidade. Muita gente tem me visitado, e sobretudo, muita gente tem lido o que eu escrevo. Redundância? Não. Eu explico: na maioria dos “blogs amadores” (como o meu) que surgem por aí, quase 70% das visitas são oriundas do Google. Geralmente o internauta está procurando alguma informação específica na web, digita algumas palavras chave na busca, e coincidentemente elas batem com alguma das abobrinhas que escrevo por aqui. No meu caso, termos como “aprender a fazer uma poesia” e “contos românticos” (referência ao título desta crônica escrita em fevereiro) são os que mais trazem pessoas até aqui (Um exemplo bem recente é o termo "vergonha nacional", que se colocado no Google nos leva direto para... adivinhem... o site do senado federal). Entretanto, ao perceber que a busca dele não encontrou exatamente um manual virtual de como se fazer poesias, o visitante vai embora sem nem ao menos ler o que está escrito nessa birosca. Tenho percebido que isso está mudando aos poucos. Apesar da enorme maioria de visitantes ainda ser oriunda das buscas do Google, um número razoável de pessoas está passando por aqui de livre e espontânea vontade. Não que eu tenha alguma pretensão de ser famoso, ou de conseguir mais repercussão. Apenas fico contente de saber que tem gente que se identifica com meus devaneios pouco inspirados.

Idéias, como sempre, não me faltam. O que falta, como já disse anteriormente, é tempo útil pra pôr tudo em prática. Parafraseando Ricardo III: “Meu reino por uma hora livre!!”

Não sei se alguém percebeu, mas promovi algumas sutis mudanças visuais por aqui. Exercitei minhas pseudo-habilidades em Photoshop para confeccionar um cabeçalho novo para o blog. Tive outras idéias que não deram tão certo. Estou resistindo, por exemplo, a tentação de colocar elementos em HTML espalhados pela página. Acho que uma das características mais marcantes que quero passar aqui é a simplicidade visual: algo meio quadrado, nostálgico, sem muitos recursos tecnológicos, mas arrumadinho. Estou aberto (no bom sentido, que fique claro) à sugestões. Se alguém tiver alguma idéia de otimização visual para me sugerir, entre em contato. Pago uma tubaína depois como forma de agradecimento.

Ah sim: a todos que possuem, ou vierem a possuir algum ódio reprido em relação a este calhorda que vos fala, deixo aqui um brinde sugerido “carinhosamente” por uma de minhas inventivas amigas. Trata-se de um game on-line no melhor estilo “chute o traseiro deste infeliz”. O legal da história é que você pode personalizar a baixaria e colocar o seu rosto (ou o do seu desafeto) no personagem. Além desse jogo, existem outras versões bem bacanas. Vale a pena dar um conferida, nem que seja pra zoar um amigo seu. Para visitar o site, clique aqui. Para chutar o este blogueiro, é só ir logo aí abaixo.

Obrigado a todos pelo carinho.

Um beijo no cérebro.

Até mais.


domingo, 2 de setembro de 2007

Celular

O Fonseca chegou no trabalho empolgadíssimo:

-Gente... vocês não sabem da última!

-Oi Fonseca! Bom dia pra você também, né?

-Bom dia! Desculpem. É que eu estou tão empolgado que nem ao menos me lembrei de cumprimentá-los!

-É... percebemos! Mas está empolgado com o quê afinal de contas?

-Com isso: meu celular novo! O XVR 7000!

De dentro do bolso, o Fonseca sacou a novidade: um aparelhinho prateado, bonitinho, apenas um pouco maior que a média dos aparelhos celulares convencionais.

-Nossa... legalzinho!

-Legalzinho? Legalzinho??? Você está brincando, né?! Isso daqui é o supra sumo da tecnologia mundial, meu amigo!

-É?

-É sim!

-Não vi nada de diferente nele...

O Fonseca quase se ofendeu. Estavam subestimando a capacidade do seu recém adquirido monstro tecnológico.

-Ok. Vamos aos fatos: Para começar: essa belezinha aqui é feita de titânio. É tão resistente que suportaria um impacto de duas toneladas!

-É?

-Sim... além disso é completamente impermeável. Você pode derramar o que quiser nele: água, álcool, ácido. Pode escolher. Continua funcionando mesmo com temperaturas acima de 400°C e inferiores a -300°C.

-Caramba!

-Mas não é só isso: tem tela sensível ao toque e é acionado através de um código de voz ou com o escaneamento de impressão digital. É praticamente à prova de roubo.

-Puxa vida!

-Tem GPS, rastreamento via satélite, tradutor de voz para cinco idiomas... toca MP3 e MP4 e tem 7 gigas de memória para armazenamento. Som de CD e qualidade de imagem de DVD.

-Vixi!!

-Além disso ele sintoniza as principais TV’s a cabo do mundo. Tem acesso à internet via wireless. Tira fotos com até 7,5 mega pixels e é capaz de gravar até 5 horas de vídeo em excelente resolução.

-Ô loco!

-Também é uma espécie de controle remoto universal. Liga e desliga quase qualquer coisa: da sua TV ao alarme do seu carro.

-Afff...

-Deixe-me ver o que mais... ah sim: tem uma bateria auto-suficiente. Na extensão do aparelho existem fotocélulas que captam a luz solar e a transformam em energia.

-Caraca, maluco!

-Isso sem contar o visual: foi feito por um dos maiores designers do mundo. Seu formato já foi premiado diversas vezes ao redor do planeta.

Durante os minutos seguintes, o Fonseca continuou relatando todas as milhares de qualidades “high-tec” de seu aparelho japonês, sob atentos olhares do resto de seus colegas de escritório.

-É Fonseca... Desculpe! Acho que subestimamos a capacidade do seu aparelhinho!

-Subestimaram sim, mas estão perdoados. Vocês não tem culpa. Não entendem muito de alta tecnologia. Até eu acabo me equivocando de vez em quando com algumas coisas.

-Ele realmente parece ser incrível. Deve ter custado uma nota, imagino.

-Sim. Realmente seu preço é bem alto. Mas, como um legítimo apreciador da boa comunicação, me dei ao luxo de comprá-lo.

Missão cumprida. O Fonseca tinha conseguido impressionar a todos. Pelo menos até aquele momento.

-Bem... mas já que você está de celular novo, trate de passar logo o número pra gente!

-Isso aí Fonseca! Qual é o número do super, mega, hiper XVR 7000?

-Número?

-É Fonseca, o número! Que eu saiba todo celular tem um número!

O Fonseca coçou a cabeça, pensou durante alguns segundos, e chegou à conclusão de que, surpreendentemente, não sabia o número do próprio celular. Isso se o celular tivesse um número. Pelo que tinha lido no manual de instruções, que tinha quase 700 páginas e explicações em 10 línguas diferentes, inclusive braile, não existia menção alguma sobre realizar ou receber ligações.

-Bem... é... sabem... eu acho que ele é...

-Não vai dizer que o Godzilla com teclas não funciona?!

-É claro que funciona! O XVR 7000 é o que existe de mais moderno e avançado do ponto de vista da tecnologia em todo o mundo!

-Super avançado! Só não faz nem recebe ligações! Hahahaha

O Fonseca ainda tentou reagir, mas não adiantou. Já tinha virado motivo de piada no escritório. O tal celular, que segundo o manual era o novo marco das comunicações mundiais, fazia de tudo, menos o que um telefone comum deveria fazer.

Mas, segundo o "feliz" proprietário do XVR 7000, o pior não era ter que agüentar as tirações de sarro. O chato mesmo era depender dos outros para fazer ligações.

-Ei Silva... dá pra me emprestar o celular rapidinho? Depois te pago!

-Toma, Fonseca... toma...




Sugestões: imagem enviada pelo meu colega Oscar. E não é que tem a ver mesmo com o meu texto?

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Confissões

O Carlos, o Vitor, o Alberto e o Noronha tinham chegado num acordo: iriam revelar ali, naquela mesa de bar, seus maiores segredos uns aos outros. Já eram amigos a pelo menos duas décadas, sendo assim, na visão deles, nada mais justo do que colocar na roda aqueles fatos que sempre tentaram esconder do resto do mundo. Seria a prova definitiva da união daqueles quatro “quase irmãos”. Prova de que confiavam uns nos outros a tal ponto, que teriam coragem de expor ali seus maiores dramas e frustrações. Depois disso, definitivamente, ninguém poderia se atrever a questionar a amizade do bando.

Foi o Vitor que, motivado pelo dever cívico de fortalecer a união do grupo e pela décima segunda rodada de cerveja, teve a idéia de realizar a sessão de confissões. Os outros três integrantes da mesa, visivelmente comovidos com a iniciativa e com o alto nível etílico que lhes guiava, concordaram prontamente. O único que questionou um pouco a empreitada foi o Noronha, sem sucesso.

Como autor da idéia, o Vitor tomou a palavra.

-Pois é pessoal! Vou começar... todo mundo me ouvindo?

O Carlos e o Noronha balançaram a cabeça afirmativamente. O Alberto só teve forças para emitir um soluço, o que no consenso dos demais significava um “sim”.

-Ok... lá vou eu!

O resto do grupo aplaudiu a iniciativa do Vitor. Todos os tipos de apoio e manifestações de incentivo eram válidos naquele momento.

-Bem... vocês devem saber que eu sempre fui um defensor da boa música, não é? Sempre fiz questão de escutar tudo aquílo que existe de melhor, seja no rock, na MPB, no jazz, no soul, nos grandes compositores eruditos...

Todos concordaram. De fato ninguém entendia melhor de boa música no grupo do que o Vitor. E ele realmente só ouvia o que existia de melhor. Chegou ao cúmulo de convidar todos os colegas de colégio da filha para uma festa de aniversário em sua casa, e pôr para tocar a nona sinfonia de Beethoven. A festa foi um fracasso, para desespero da filha que jurou nunca mais permitir que o pai organizasse qualquer evento em seu nome.

-Pois bem: admito, com muita, mas muita vergonha, que nos últimos dias eu tenho ouvido uma banda meio... meio...

-Coragem Vitinho! – Bradou o Carlos!

-Obrigado! Pois então: minha filha comprou um CD dessa banda, e pôs pra tocar o dia inteiro! No começo eu achei horrível. Mal feito, mal executado, ruim aos ouvidos... mas com o tempo... com o tempo tudo começou a ficar poético, entendem? É como se a música começasse a fazer sentido, e quando eu me vi, eu estava cantarolando ela em todo o canto. Tentei parar. Juro que tentei. Mas não pude, era mais forte que eu. Mais forte!

Silêncio. O resto da mesa ouvia o relato respeitosamente.

-Gente... eu, Vitor de Almeida Barreto, admito: nos últimos tempos, eu tenho ouvido RBD!

-Meu Deus! – Exclamou Carlos.

-Caramba! – Bradou Noronha.

-Hic! – Soluçou Alberto.

-Pois é gente... é triste! Eu sei que é! Mas é tão forte, é um ritmo tão sedutor. Eu tive que continuar. Comprei todos os CD’s e DVD’s, me filiei ao fã clube, decorei todas as músicas... lembram que eu furei naquele dia em que nós tínhamos um jogo marcado? Pois é... eu tinha ido no show deles aqui no Brasil!

-Poxa vida, cara... o caso é sério mesmo!

-É sim! E o pior gente: semana passada, minha filha veio reclamar que eu estava cantando uma das músicas deles alto demais! Que ela não conseguia se concentrar na lição de casa! Imaginem isso! Minha própria filha me repreendendo por eu cantar uma música do RBD!? Isso é demais pra minha cabeça!

-Acontece cara... acontece!

Como forma de reconhecimento pela coragem, o Vitor recebeu uma nova salva de palma dos colegas, ainda mais efusiva, chamando a atenção de todo o resto do bar.

-Obrigado gente! Sabia que podia confiar em vocês! E que isso fique só entre nós, ok?

Todos concordaram. A discrição era parte do acordo. O próximo a pôr seus segredos na roda foi o Carlos:

-Bem... vocês devem se lembrar do gato da dona Filomena. Sabem qual?

O gato em questão, chamado Floquinho, era o mascote dos quatro quando pequenos. Estava junto com eles em todos os momentos: das brincadeiras na rua ao bate papo embaixo da árvore depois de um dia inteiro de traquinagens. Coisa bonita de se ver. A dona Filomena adorava ver o seu gatinho de estimação interagindo com a garotada e não se importava com as tardes inteiras em que ele desaparecia. Sabia que estava em boas mãos, e que invariavelmente no fim do dia, lá estaria ele deitado na varanda, descansando e esperando o jantar. Infelizmente, certo dia, ele não voltou. Sumiu sem deixar pistas. O consenso foi de que ele teria sido roubado por alguém, ou tivesse se perdido. De qualquer forma, todos sentiram muito a falta do bichinho, principalmente a dona Filomena, que dizia nunca mais ter encontrado felino igual.

-Sim, acho que todos lembramos! O Floquinho... nosso velho mascote! O que tem ele?

-Lembram que ele sumiu?

-Sim!

-É claro!

-Hic!

-Pois então... a culpa foi minha! Eu o vendi pra um dos meus tios que mora lá no interior! Ele veio nos visitar e se apaixonou pelo tal gato! Me ofereceu alguns tostões, e eu não pude evitar: acabei vendendo ele!

A confissão era pesada. O Carlos tinha vendido o mascote da turma, um animal que, inclusive, nem era dele.

-Poxa vida!

-Cacete!

-HIC!

-É... eu sei! Isso foi terrível, né? Não acredito que tive coragem de fazer aquílo! Sempre que penso nisso, ainda hoje, fico com a consciência pesada!

-...

-Vocês ficaram quietos! Não engoliram a história do gato, não é? Sabia que não devia ter contado!

-Você há te entender que o caso é grave...

-Você vendeu o gato da dona Filomena, cara! Isso é terrível! A velha quase teve um treco quando percebeu que o gato tinha sumido!

-Hic!

-Eu sei gente, eu sei! Se pudesse voltar no tempo, eu não teria vendido ele... ou pelo menos teria cobrado mais caro! Eu era criança, bobinho. Não tinha idéia do que estava fazendo. Além do mais, vocês prometeram perdoar tudo! Era parte do acordo!

Era verdade. A compreensão também era fundamental para que a rodada de confissões fosse bem sucedida.

-Ok, Carlos... você foi corajoso botando pra fora esse fato! Foi preciso ter muita coragem e confiar muito no grupo! Parabéns!

-Obrigado gente! Vocês não fazem idéia do peso que e tirei das costas!

Efusivos aplausos seguiram a demonstração de coragem explicita protagonizada pelo Carlos.

-Bem... acho que agora, todos concordamos que quem está em melhores condições para fazer a confissão é o Noronha! O Alberto bebeu um pouco demais e...

-Que nada! Eu quero falar agora! – Bradou o Alberto, decidido, na primeira frase completa que ele tinha conseguido formular em horas.

-Ok... manda ver então!

-Olha... eu... eu sou um bosta! Um bosta, gente! Não fui eu que terminei com a Carmem! Foi ela! Eu disse pra todo mundo que eu tinha chutado ela, que tinha enjoado dela... mas não! Foi ela quem terminou comigo! Estava tudo normal, tudo lindo, até que ela chegou em mim, do nada, e falou: “Acabou Alberto...não quero mais você!”

-Nossa!

-Agora eu pergunto: o que foi que eu fiz de errado, hein? Sempre segui as regras, as normas. Sempre tentei ser um bom marido... e daí ela chega e diz que não me quer mais?! O que podemos concluir com isso? Que eu sou um bosta! Um b, o, x, d, t, a, e mais um ç que eu não lembro onde se coloca! Só isso! E o pior, sabem o que é? Eu ainda amo ela! Penso nela toda maldita noite! Choro de saudades feito uma criança, quando deveria estar odiando ela!

O Carlos e o Vitor se assustaram com a reação auto destrutiva do Alberto. Ele que sempre tinha se comportado como um legítimo machão, estava ali, quase aos prantos, admitindo que era submisso a sua ex mulher. O caso da separação, aliás, não estava bem explicado até então. Certo dia ele chegou afirmando que tinha se cansado do casamento, e que, sem motivo nem razão aparente, acabou com tudo. Fez chacota do caso, dando a entender que era areia demais para o caminhãozinho da esposa. Chegou a dizer que a Carmem chorou, berrou e esperneou, mas que nem assim ele tinha se compadecido com os pedidos de uma segunda chance feitos por ela.

-Calma cara... não precisa se auto flagelar!

-Que nada! Eu vivia uma fantasia! Fazendo todo mundo acreditar que eu era um cara durão, um dominador... quando na verdade eu tomei um fora da minha mulher! É deprimente gente, eu sei!

O Carlos e o Vitor consolaram o velho amigo:

-Que nada cara... você mostrou que é macho! Só alguém com muita coragem admitiria isso!

-Verdade! Tu é um exemplo pra todos os homens desse mundo!

-Bota exemplo nisso! Você é quase um herói rapaz! Devia ser saudado em praça pública!

-Verdade!

O Alberto ficou comovido com a atitude dos colegas!

-Poxa gente! Obrigado! Vocês são os melhores amigos desse mundo, mesmo!

-Imagina cara... aqui é assim mesmo! Um por todos e todos por um. Somos quase irmãos lembra?

-Isso aí!

-Verdade! Nunca me senti tão bem me libertando de uma mentira! Sabem? Eu Acho que eu nunca vou entender o porque ela me abandonou. Acho também que vou amar ela para sempre. Fazer o que, né? São coisas da vida!

Todos concordaram. Clichês à parte, eram coisas da vida.

-Pois é... mas vamos animar esse papo!

-Só sobrou você Noronha! Qual é o grande segredo que você quer revelar aos seus amigos?

-Eu to namorando a Carmem!

A declaração ecoou como uma bomba no recinto. Os três ficaram perplexos, sobretudo o Alberto, que com o baque da notícia quase se afogou com o gole de cerveja. Prevendo o pior, o Vitor tentou evitar que o Noronha continuasse, mas não teve tempo:

-Noron...

-E digo mais: ela terminou com você, Alberto, porque a gente já tinha ficado junto antes mesmo da separação de vocês!

-Noronha, vamos esquecer esse papo e...

-Fui eu que pedi pra ela terminar com você! Ela estava infeliz e eu não queria que ficássemos te enganando daquele jeito!

-Noronha...

-Eu to falando isso porque eu te amo cara! Você é quase um irmão pra mim e eu sei que vai me entender! Ela não guarda mágoas suas. Estamos até pensando em te convidar pra ser padrinho no nosso casamento. A notícia é meio repentina, eu sei, mas creio que em pouco tempo tudo vai voltar ao normal. O que acha?

O Alberto não esboçava reação alguma. Apenas ouvia os relatos, sem se mexer.

-É isso gente... esse é o meu segredo!

-...

-Vamos lá... falem! Alberto, meu irmão, me diz alguma coisa! Quero ouvir o que o meu grande amigo tem a dizer!

-Seu filho de uma puta!

Num pulo, o Alberto sobrevoou a mesa e por pouco não conseguiu agarrar o pescoço do Noronha, que se não fosse rápido, estaria em sérios apuros. O Carlos imediatamente agarrou o colega, antes que ele voltasse a tentar investir contra o novo namorado de sua ex-mulher. O Vitor não se conformou:

-Porra, Noronha!

A noite era para confissões, é verdade. Mas não para confissões tão reveladoras assim.

O Noronha ainda se defendeu...

-Eu falei que isso não ia dar certo, eu falei!

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Miguxês

Para surpresa dos amigos, conhecidos e familiares a Paula voltou do período de férias na praia namorando. Foi um choque, até para a própria Paula. Ela que sempre tinha sido a careta da família, tinha encontrado um cara legal no lugar que ela julgava ser o mais improvável possível, e em pouco mais de uma semana de carícias e juras de amor, passou a namorar firme.

Aos amigos, explicou que conheceu o Juliano, vulgo “Ju”, na beira do mar enquanto esse jogava vôlei de praia com os amigos. Ela tomou uma bolada, reclamou, mas pouco depois se viu encantada com o jeito meigo e com o efusivo pedido de desculpas do rapaz que tinha lhe acertado. Mais tarde o Ju chegou a admitir que tinha sacado a bola de propósito em sua direção, só para ter um motivo para conversar com aquela linda moça. Ela achou o gesto lindo, e no fim do dia já tinha dado o primeiro beijo no rapaz. Um recorde se tratando da Paula.

Segundo ela, ele era simples, bonito e, olha só, até um pouquinho inteligente. Já tinha perdido as esperanças de encontrar um homem assim. Se sentia eufórica com a descoberta que tinha feito. Estava gostando de um cara, gostando pra valer. Ele tinha lá seus defeitos, era verdade, mas não era nada digno de decepção de sua parte. Fazia tempo que isso não acontecia.

Os amigos, acostumados com o jeito Paula de ser, foram taxativos: cedo ou tarde, ela acharia um defeito e tudo estaria acabado. Nos bastidores, uma pequena bolsa de apostas foi feita à espera do motivo que a levaria ao fim do namoro. Quando soube, ela ficou escandalizada. Disse que todos quebrariam a cara. Aquílo era um amor sincero, amor de verdade. Além disso, segundo ela, já tinha convivido suficientemente com ele para afirmar que o conhecia a fundo. Ledo engano...

A ficha de Paula começou a cair dois dias depois que ela voltou de férias. O Ju continuou mais uns dias na praia, e eles ficaram de matar as saudades um do outro por e-mail, até ele voltar pra casa e poder ligar para ela como mandava o figurino.

Ansiosa pelo contato, acampou na frente do computador à espera de um sinal de vida do namorado. Ele veio, mas não podia ter deixado a Paula mais chocada. O conteúdo da mensagem em si não tinha nada de especial: era a típica e previsível conversa de namorados recém unidos. O que a deixou perplexa foi outra cosa: o miguxês.

***

oi AMOr...... tUdU BeM??!?!

Ki SAUDAdixXx kI Eu Tavah Di vc!!!!! kEriAH mTu pOde Tah aiH kONtIGU...... kase xXxOrEi QDu vc fOi eMbOrah......

logU logu A Genti Vai se Ve DINovU...i daIH vAmuxXx fICAH JUnTUxXx PrAh SemPrE...... sAbE pQ??!?! Pq Eu ti AMODOLu!!!!!

ti AmODOLU MTU!!!!!

bEIjInHuxXx!!!!!

*JuH*

***

Pânico. Era como se tivesse acabado de descobrir que tinha convivido aquele tempo todo com um ser estranho. Ela, logo ela, estava namorando um cara que escrevia em miguxês? Não era possível. Alguma coisa devia estar errada. Tinha que estar. Nunca tinha suportado aquele tipo de linguagem, muito menos quem se valia dela para se expressar. Ele podia escrever de qualquer forma: comer uma ou outra letra, conjugar um verbo e forma errada, cometer um “tropeço” de digitação aqui e ali, trocar um “ch” por “x”... qualquer coisa! Menos escrever em miguxês.

Esfriou a cabeça. Deve ter sido um engano, ou sei lá: alguém podia ter mandado um e-mail pra ela só de sacanagem, tentando abalar o romance recém nascido dos dois. Parou, pensou e respondeu da forma mais racional possível: fingiu que nada de errado tinha acontecido.

***

Amor,

Também estou com saudades. Quando é que você vai voltar mesmo? Semana que vem, né? Mal posso esperar!

Estou bem. Fique tranqüilo. Algo me deixou meio preocupada. Nada sério. Tenho certeza que é só besteira minha.

Logo estaremos juntinhos... eu acho!

Te amo!

Beijos apaixonados.

Da sua Paulinha.

***

A resposta veio um dia depois, e não podia ter sido mais desesperadora para a Paula.

***

AmOr!!!!!

u KI FOI Ki acOnTecEu...Hein??!?! FikEI pReOCupAdu!!!!! U ki EH KI taH DExXxAnU MINHAH FOfUxXxaH tRisteEnHah??!?!

FAltAm Soh AlguNxXx dIaxXx AMor...... VAi dah TUDu cERTU...VC vAI VE!!!!!

tI aMOdOlU MtU...1 TAntAUM AXXim...OH:

\____________________0____________________/

BEIjinHuxXx!!!!!

*JuH*

***

Era verdade: estava namorando um miguxo. Como é que podia ter cometido um erro daqueles? Amava ele, estava apaixonada, mas aquílo era demais para ela assimilar assim, de uma hora para outra. Tentava ser racional, tentava demonstrar frieza, paciência, mas sempre que pensava no “aMOdOlU” proferido pelo Ju, seu coração doía. Chutou a cautela para escanteio, e respondeu da maneira que julgava mais adequada para aquele momento. O namoro estava em crise, mesmo que o Juliano não se desse conta disso.

***

Ju:

Estou preocupada. Você pode achar que parece besteira, mas tem uma coisa que está me incomodando bastante: seu jeito de escrever. È, parece loucura, eu sei, mas a verdade é que estou desesperada à espera de uma resposta sincera de sua parte.

Afinal de contas: você é um miguxo ou só está escrevendo daquele jeito para fazer um “charminho”. Se for por charminho, pelo amor de Deus, pára com isso.

Aguardo resposta.

Paula

***

Pronto. Tinha enviado o e-mail. A resposta daquele correio eletrônico selaria os rumos do relacionamento dos dois. O final feliz deles dependia de uma resposta coerente do Ju. Se tivesse que ler mais um “aMOdOlU”, não agüentaria. Infelizmente, quando a resposta finalmente chegou, não pode conter sua decepção.

***

amOR!!!!!

u kI Eh miguxXxU...hEIN??!?! nauM ENteNDi u ki VC kIxXx dIZe!!!!! u KI eH kI Tem dI ERRAdeEnHU nU MEu jeItu DI escreve...heiN MinhaH fOfUxXxAH??!?!

toW PREoCupADu...viU??!?!

Ti AmOdOLU MtU...oK??!?!

VaMUxXx FicaH JuNtUxXx PrAh SeMPrE!!!!!

kIXXUxXx


*JuH*

***

A resposta da Paula fala por si só:

***

Juliano,

Está tudo acabado entre nós, desculpe.

A culpa não foi sua, acredite. A culpada sou eu. Eu é que não consegui me adaptar a esse seu jeito “fofo” de escrever. Ou melhor... você tem culpa sim, mas isso não vem ao caso agora.

O fato é que nunca suportei miguxos. Desculpa, mas é verdade. Isso é demais pra mim, não pude assimilar, entende? Não... provavelmente você não vai entender.

O fato é que acabou. Foi bom enquanto durou, mas acho que me precipitei um pouco quando começamos a namorar.

Peço perdão por colocar fim ao nosso namoro dessa forma, tão repentinamente, mas juro para você que não suportaria ouvir mais um “AmOdOLU” e... bem... como já falei, provavelmente você não vai me entender.

Por favor, não me procure mais.

Bom futuro para você Juliano.

Si cuida.

Paula

***

Os amigos, quem diria, compreenderam o fim do namoro e apoiaram a decisão da Paula. Um miguxo não era digno de confiança. O Juliano bem que tentou entender o que tinha feito de errado, mas não conseguiu.

-onDI fOI ki eU eRREi??!?!

domingo, 8 de julho de 2007

Tagarela

E eis que ciência derruba mais um mito que imperava no bom senso popular: segundo uma pesquisa realizada por cientistas de uma universidade do Arizona, nos EUA, os homens falam tanto quanto as mulheres. Durante oito anos, esses especialistas gravaram trechos de conversas de grupos masculinos e femininos, a fim de estabelecer uma comparação. O resultado final apontou que o número médio de palavras ditas por ambos os sexos é estatisticamente equivalente. Ou seja: o velho preconceito de que as mulheres são infinitamente mais tagarelas que os homens, caiu por terra.

Para quem se interessar, a matéria completa pode ser lida no portal de notícias G1, clicando aqui.

De fato, a pesquisa é uma arma poderosa na mão das representantes do sexo feminino. Está cada vez mais difícil para nós homens apelar para a ciência em defesa de nossos argumentos supostamente machistas.

O Arnaldo é prova viva disso:


***

-Arnaldo! Lê isso daqui! O que você tem a me dizer, hein?

O Arnaldo tomava o café da manhã tranqüilamente quando sua esposa, a Verônica, lhe enfiou o jornal na frente do rosto com um ar triunfante. Ele demorou um pouco a entender o que tinha acontecido. Correu os olhos pela página do jornal e se deparou com a manchete do caderno de ciência: “Pesquisa revela: homens falam tanto quanto as mulheres”. Imediatamente se lembrou da noite anterior. Estavam na casa de um casal de amigos, jantando, quando a verônica desandou a falar e não parou mais. O Arnaldo tentava conversar com seu velho amigo, mas era intimidado pelo diálogo fervorosamente empolgado da dupla feminina da mesa. Aquílo tinha lhe deixado inconformado. Na hora olhou para o Paulo (o dono da casa), deu de ombros e sem dizer nenhuma palavra, declarou com os olhos ao colega: “Fazer o que? São mulheres...”

Na volta para casa desabafou: disse poucas e boas para a Verônica. Como é que pode alguém ser tão faladora? Alegou que tinha passado vergonha na casa do amigo. Que estava casado com a “rainha da tagarelândia”. Ela ficou revoltadíssima. Não admitia ser chamada de tagarela, sobretudo por seu próprio marido. Ele retrucou dizendo que perdoava ela, afinal de contas, todo mundo sabia que mulheres são faladoras por natureza. Aquílo doeu na alma da Verônica. Jurou a si mesma que ia se vingar daquela insinuação machista.

E eis que, no dia seguinte, quando abriu o jornal, ela se deparou com a boa nova. Era o destino. Tinha o argumento que precisava para provar para o Arnaldo que não era tagarela. Não pensou duas vezes: levantou da cadeira e foi ao encontro do marido para questionar seus argumentos machistas.

-Anda Arnaldo! Fala alguma coisa!

-Legal!

-Como assim, “legal”? Cadê aquela história de que nós mulheres somos falantes, hein? Porque você não fala agora aquílo que tinha me dito ontem? Quem ouvisse você falando ia achar que eu sou a maior faladora da paróquia. Como é que você disse mesmo? Rainha da língua solta? Não... não era isso! Ah, lembrei: rainha da tagarelândia! Aquílo me doeu Arnaldo. Não se fala isso para uma mulher. Não se faz uma insinuação dessas. Você sabe muito bem que eu nunca fui de falar muito. Sempre fui contida, na minha. Mas você não tava nem aí, né? Preferiu ser machista! Preferiu me acusar de ser algo que eu nunca fui! Vejam só... tagarela! Você me chamou de tagarela Arnaldo. Isso não se faz. Sabe o que eu devia fazer? Pegar um gravador, colocar ele na sua camisa, e gravar quantas palavras você fala por dia! Não ia ter fita que chegasse, né Arnaldo? Você que fala demais e eu que sou a tagarela! Ora, vejam só! Eu disse que você ia me pagar Arnaldo. Eu disse! Você vai se arrepender e...

-Veja bem amor...

-Shhhhhh... Não me interrompa! Quem está falando agora sou eu! Você vai ficar aí, sentado, ouvindo! Tava querendo me interromper, né? Tá vendo só? Olha como você é tagarela! Mal me deixou falar, e já ia tentando me interromper. Mas hoje não Arnaldo. Hoje você não vai abrir essa sua matraca. Vai me ouvir. Me ouvir quietinho. Só vai falar quando eu deixar. A ciência está ao meu favor. Tenho argumentos. Agora, não importa o quão machistas sejam os seus comentários, eu tenho como retrucá-los. Como é bom ter a teoria a nosso favor. Você queria ter esse trunfo, não queria? Queria poder ter um jornal com a manchete “Pesquisa aponta: mulheres falam de duas há três vezes mais que os homens”. Você queria, né? Daria qualquer coisa para ter um jornal com uma manchetes daquelas para poder esfregar na minha cara! Não é verdade, Arnaldo? Queria... queria, mas não tem! Quem tem sou eu! Quem pode provar seus argumentos sou eu, não você! Isso dói, né Arnaldo? Como deve ser chato perceber que se está errado! Não queria estar no seu lugar agora. Não queria mesmo! Ouvindo sua própria esposa lhe dar uma lição de moral. Sua própria esposa provando que você estava errado. Anda Arnaldo. Tem alguma coisa pra falar? Estou louca pra ouvir o que tem a dizer! Quais seus argumentos agora, qual será sua defesa. Vamos Arnaldo: o que tem a me dizer?

-Nada...

-Como nada? O gato comeu sua língua? Não tem o que dizer, né? Sabe que eu estou certa. Sempre soube. Sabia que eu não era tagarela, mas mesmo assim fez questão de me acusar. Você me dá pena Arnaldo. Sabe o que é sentir pena de alguém? Não sabe, não é? Se soubesse não teria dito aquílo. Você não teve pena de mim ontem. Se tivesse sentido pena, saberia o tamanho da pena que eu estou sentindo. Que pena, né? Você sabe que eu odeio mentiras Arnaldo, e mesmo assim você mentiu pra mim ontem. Mentiu não: me humilhou! Usou um argumento baixo, machista. Bem que minha mãe tinha me dito que você era assim, que era pra eu tomar cuidado. Tinha me falado: “olha minha filha: esse homem não é tudo isso que você pensa”. Mas eu não ouvi, estava apaixonada. Sempre estive. Sempre dei o melhor de mim pra você: o melhor carinho, o melhor humor, as melhores fases da minha vida... e como você me retribui? Me chamando de “rainha da tagarelândia”. E se fosse verdade pelo menos, tudo bem! Eu sei admitir meus defeitos. Mas falar demais nunca foi do meu gênero. Sempre fui contida, sucinta. Aliás, acho que estou me tornando até mais contida do que antes, graças à idade. Sinto que estou mais serena. Mas você não sente isso não é Arnaldo? Você só soube me qualificar de uma maneira leviana. Isso machuca, sabia?

Nessas alturas o Arnaldo nem ouvia mais o que era dito pela Verônica. Estava entretido lendo o jornal. Por sorte, reparou que ela tinha parado de falar, e teve tempo de balbuciar a primeira coisa que veio à sua mente.

-É, né?

-É sim Arnaldo, é sim! Que bom que admite isso. Pelo menos isso, né? Espero que tenha percebido o tamanho da calúnia que cometeu. Esses seus conceitos machistas estão errados! Será que não percebe isso? Será que todas as vezes que você inventar uma mentira eu terei que usar a ciência pra te provar o contrário? Acho que não, né? Não iria ser legal, não é? Eu imagino como você deve estar se sentindo agora. Deve estar pensando: “Poxa! Como eu fui idiota. Não devia ter dito uma besteira daquelas. Não é isso? Não é assim que você se sente? Arnaldo? Arnaldo??

Distraído novamente:

-Mmmmm?? Sim, sim!!

-Então... mas quer saber? Eu vou te perdoar. É Arnaldo, eu vou te perdoar. Você já foi castigado como merecia. A ciência está do meu lado. Eu não tenho culpa de ser coerente. Além do mais, apesar de tudo, apesar de você ter me chamado mentirosamente de tagarela, de “rainha da tagarelância”, eu ainda te amo. Sempre te amei. E não vai ser uma pisada na bola sua que vai acabar com esse sentimento. Mas eu espero realmente que isso tenha te servido de lição. Espero que tal situação nunca mais se repita. Espero que das próximas vezes você meça suas palavras. Perceba o quanto isso é estúpido. O quanto sua afirmação foi infundada. Você atentou contra a minha dignidade, contra a reputação de todas as mulheres desse mundo! Ouviu bem? Do mundo!! Mulheres tagarelas? Não Arnaldo... mulheres e homens tagarelas! Tagarelas em igualdade. Equivalentes em tagarelice. Assim são homens e mulheres. Iguais, ouviu bem? Idênticos, semelhantes. Fora o lado biológico, o resto é igualzinho! Não tem diferença nenhuma. Mas eu te perdôo Arnaldo. Está perdoado.

-Obrigado...

-Sabe? Hahahaha... eu estava pensando... chega até a ser engraçado! Tagarela, eu? Hahahahahaha... só rindo mesmo! Você inventa cada uma, Arnaldo. De onde você tira isso? Hahahaha... ai ai! Tagarela, hein? Ah Arnaldo... como você me dá pena! Sorte a sua que eu sou tolerante! Que eu não fico grilada com esse tipo de coisa. Será que algum dia você vai abrir o jornal e dar de cara com uma manchete que confirme seu ponto de vista? Será Arnaldo? “Pesquisa aponta: os machistas sempre estiveram certos”. Difícil, né Arnaldo? Mas não perca as esperanças... quem sabe um dia isso aconteça! Hahahaha

A Verônica gargalhou, se virou e foi embora triunfante. O Arnaldo suspirou conformado, e perguntou para si mesmo: “mulheres... quem entende?”.

Ninguém Arnaldo... ninguém!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Memória

O cérebro da gente é um bicho esquisito. Quando você pensa que o conhece, ele vai lá e te surpreende. Como assim? Eu explico.
Dia desses uma amiga minha me passou um link de um joguinho na net chamado Flash Pops. A proposta é simples: ouvir pequenos trechos de músicas e dizer à trilha sonora de qual filme ela pertence. No total, 64 questões esperando pela resposta certa.
Na hora pensei: “não acerto nem um quinto das questões”. Sempre julguei minha memória como fraca, ainda mais quando o assunto é música. Sou daqueles que não lembra nem do nome da canção favorita. Mas, para minha surpresa, não é que numa primeira passada eu matei 64% das questões? O mais curioso é em certos filmes eu simplesmente acertava o nome mesmo sem saber de mais nenhum detalhe do longa. A pergunta é: como é que eu sabia isso? Nem imagino. O fato é que, motivado, eu parti pros 100%. Com uma ajuda aqui e acolá de alguns amigos, e com a intervenção indispensável do Google, fui matando questão por questão até atingir os 100%. Ganhei o dia, tamanha a felicidade de ter “zerado” o joguinho.
Como eu sei que acertar tudo não é fácil, e que exige uma boa dose de paciência, resolvi facilitar a vida de todo mundo. À seguir, estão distribuídas dicas para ajudar quem quer matar todos os 64 trechos de trilha sonora.
Bom divertimento!

Clique aqui para entrar no jogo (dica: Abra numa nova janela ou aba este blog antes de clicar no link para que possa ler as dicas e jogar ao mesmo tempo).

1- Clássicão dos anos 80. Fantasmas, Bill Murray e Dan Aykroyd. Moleza!
2- Não precisa ser nenhum agente secreto para descobrir essa. Fácil, muito fácil.
3- Impossível não acertar! Precisa de dica? Tom Cruise atuando e Brian de Palma na direção.
4- Música tema das olimpíadas? Não. Película de 1981, com Ian Holm e Alice Krige.
5- Todo cara que já namorou algum dia já foi obrigado pela namorada a assistir esse filme, o que não é tão ruim se levarmos em conta que Demi Moore está presente. História de amor metafísica. 1990.
6- Tom Hanks ganhou um Oscar por esse longa. O nome é dito durante o trecho da música. Até eu que não entendo bulhufas de inglês acertei sem dificuldades.
7- Um dos ícones de Alfred Hitchcock. A cena clássica é uma em que a mulher está tomando banho e o cara se aproxima com uma faca. Falar mais do que isso é entregar o nome.
8- Filme que revelou Sylvester Stallone ao mundo. Teve cinco seqüências além do original. Leva um soco quem não acertar.
9- Bervely Hills, Eddie Murphy, tiroteios constantes e piadas cretinas pra todo lado. Comédia policial.
10- Filme brasileiro sobre dois cantores sertanejos. Como a variedade de películas assim é infinita, provavelmente vocês terão dificuldade em acertar (P.S.: estou sendo irônico).
11- Criaturas bonitinhas, que após entrarem em contato com água, viram monstros assassinos. Não, não me refiro à sua namorada na TPM. Comédia com traços de terror. Teve uma seqüência. 1984.
12- Um meteoro entra em rota de colisão com a Terra. A solução? Chamar um perfurador de poços de petróleo (?) e manda-lo para o espaço para que possa abrir um rombo no cometa, introduzir ali uma bomba atômica, e salvar o mundo. Será que sou só eu que achei a história forçada? Bruce Willis, Liv Tyler e Ben Affleck.
13- Futuro próximo, Mel Gibson e motoqueiros desordeiros. Pouco? 1979.
14- Primeira pedreira. Sofri horrores pra descobrir esse. 1957, história de guerra. Envolve uma ponte. David Lean na direção. Difícil, né?
15- Clássico. Quem não se lembrar do filme, deve se recordar do desenho animado. 1963, com direito à indicação ao oscar.
16- Chorei assistindo esse quando era muleque. Envolve uma menina, um garoto, uma funerária no porão de casa e uma porção de abelhas. Lembram do Macaulay Culkin? Pois é... ele estava lá!
17- Diz o ditado que clássicos não morrem. Esse é um clássico trash, que fala de um cara imortal. Coincidência? Com Christopher Lambert e Sean Connery.
18- Um arqueólogo, nazistas e relíquias. Aventura do início ao fim. Com Harisson Ford.
19- Tropa de elite da policia (seria isso mesmo ou estou viajando na batatinha?). O longa é recente, de 2003, mas tinha uma série antiga de TV que já abordava as peripécias desses caras. Com Samuel L. Jackson e Colin Farrell.
20- Essa é difícil. Alunos rebeldes numa escola da periferia americana tocam o terror. O que eles não contavam era com a chegada de uma loira nervosa interpretada por Michelle Pfeiffer. Aí o bicho pegou. 1995.
21- Quem nunca assistiu esse filme na Sessão da Tarde, provavelmente tem menos de um ano, ou faleceu antes de 1986. Comédia com Matthew Broderick.
22- 1952, Gene Kelly. Musical indicado a dois Oscars. Você já deve ter ouvido falar.
23- Musical dos anos 80. 1983 pra ser mais exato. Demorei horrores pra acertar essa. Adrian Lyne na direção. Fácil? Nem tanto...
24- Quem não acertar essa, definitivamente não é desse planeta. Umas das obras primas de Spilberg.
25- Gomes, Tropeço, Vandinha, Mortícia e tantos outros personagens bizarros. Adaptação de um desenho animado. Teve uma seqüência. Raul Julia no elenco.
26- Esse sim tem o direito de ser chamado de clássico. Garoto que aprende a lutar karatê com um senhor japonês. Com Pat Morita.
27- Mais um do Spilberg. Um “bichinho aquático” aterroriza uma cidade litorânea do EUA. 1975.
28- O maior filme de ficção cientifica que eu já vi. Ou melhor: o melhor filme de ficção científica que todo mundo já viu. Direção do genial Stanley Kubrick. 1968.
29- Um épico sobre a luta pela liberdade na escócia, protagonizado por um ator australiano. Contraditório? Não nesse longa de 1995, que inclusive arrebatou o Oscar de melhor filme.
30- Um dos maiores sucessos da história do cinema. Uma história de amor em plena Guerra Civil Americana. Com Clark Gable.
31- George Lucas, efeitos especiais revolucionários, e uma série que já começou na quarta parte. Facílimo.
32- Musical do final da década de 70, retratando adolescentes da década de 50. Sua mãe já deve ter visto. Rock, John Travolta e um bocado de gente dançando.
33- Como é que você vem no meu blog e não mostra respeito, não diz um “olá padrinho” quando entra? Que tipo de visitante é você? Enfim... esse longa é considerado por alguns críticos como o de melhor roteiro da história do cinema. Elenco de peso, encabeçado por nada mais nada menos do que Marlon Brando.
34- Santa falta de memória, leitor! Como é que você não se lembra de que filme pertence essa trilha sonora? Para facilitar: versão do diretor Tim Burton para um dos mais famosos heróis de quadrinhos da história.
35- Comédia romântica protagonizada pela polivalente Julia Roberts há exatos 10 anos atrás. Envolve casamento... e amizade.
36- Um homem de baixo QI que adora contar suas histórias de vida num banco de praça. Minha auto biografia? Não! Oscar de melhor filme, e melhor ator para Tom Hanks.
37- Um dos maiores clássicos-românticos-piégas-brega do início dos anos 90. Kevin Costner e Whitney Houston formaram a dupla de pombinhos.
38- Putz... quem não souber essa merece estar dentro de um navio que bate num iceberg e afunda.
39- Essa é difícil. Nove pessoas, moradoras de uma mesma região, tem seus destinos cruzados. Entre essa turminha estão Tom Cruise, Julianne Moore e Phillip Seymour Hoffman. Ainda não matou a charada? Talvez se você pensar numa chuva de sapos, as coisas fiquem mais fáceis...
40- Mais um do Spilberg. Depois de falar de bichinhos do espaço, e do fundo do mar, é a hora dele investir em “monstrinhos pré-históricos” nesse filme. Um dos maiores sucessos de público dos anos 90.
41- A Jamie Lee Curtis deve ter um arrepio toda vez que ouve essa música. Filme de terror clássico, repleto de seqüências bizarras. Sabe aquele monte de cenas clichês que nem te assustam mais? Pois é... foi aqui que boa parte dessas “fórmulas de susto” surgiram. 1978.
42- O que seria da Sessão da Tarde sem esse filme e suas duas brilhantes seqüências? Michael J. Fox, Christopher Lloyd e um Delorean invocado que marcaram época na história do cinema. Da até vontade de voltar no tempo.
43- O nome desse longa, é sinônimo de “cara galanteador”. Assim como eu (quem vê pensa, né?). Johnny Depp e Marlon Brando. E a mulherada vai ao delírio...
44- Adaptação para o cinema de uma das séries de maior sucesso na história da tv americana. Naves espaciais, aventuras intergalácticas, e um comandante orelhudo. 1979.
45- Musical envolvendo o amor de uma ex-noviça com seu patrão. Julie Andrews, Christopher Plummer e o Oscar de melhor filme. 1965.
46- Quentin Tarantino e sua obra prima. A fórmula do sucesso: misture gângsteres, um boxeador e assassinos profissionais interpretados por um elenco de peso e pronto! Teremos um dos maiores ícones do cinema nos anos 90.
47- Longa com o mais poderoso super-herói já criado. Pelo menos é o que dizem os criadores desse filme. Pode até ser o mais poderoso, mas certamente não é o mais organizado. Afinal de contas, usar cueca por cima da calça não é uma das coisas mais incríveis que um cara pode fazer.
48- Um motorista negro que faz sucesso com sua clientela. Estamos falando do novo fenômeno da Fórmula 1, o inglês Lewis Hamilton? Não, nada disso. Trata-se de um filme de 1989 protagonizado por Morgan Freeman.
49- Outro clássico musical dos anos 80. Um cara da cidade grande sofre preconceitos quando tenta dançar numa cidade de interior. Kevin Bacon é o rapaz em questão.
50- Made In Brazil. Fernanda Montenegro quase levou um Oscar pelo brilhantismo apresentado nesse filme de Walter Salles.
51- Policiais, humor, ação e um elenco quase inalterado durante as 7 sequências que teve. Pronto: eis a mistura que criou um dos ícones da comédia cinematográfica americana dos anos 80. Filme original de 1984. Com Steve Guttenberg.
52- Uma das mais lindas histórias de filmes de animação já feitas. Leões, hienas, tucanos, macacos, insetos e uma dupla composta por um suricate e um javali que roubam a cena. Lembrou? “Os seus problemas, você deve esquecer”.
53- Das antigas. O gerente de um clube noturno reencontra uma antiga paixão que agora namora com seu melhor amigo. Encrenca na certa, né? Um dos filmes mais ousados daqueles tempos, com forte apelo erótico. Ousadia para àquela época, que fique bem claro. 1943, com Rita Hayworthm.
54- A própria música entrega o nome do filme. Se o seu ouvido não é dos mais potentes, fica a dica: dois policiais atrás de um carregamento de heroína. Eles não são bons garotos. Com Will Smith e Martin Lawrence.
55- Toma um “fatality” quem não acertar essa. Adaptação (tosca) de um dos maiores games de luta já criados.1995.
56- Um jovem piloto de aviões e suas aventuras no ar, com um caça, e na terra, com uma loira de parar o trânsito. Tom Cruise, em mais um sucesso dos anos 80.
57- Uma ficção científica metida à comédia com Will Smith e Tommy Lee Jones. Precisa mais? Alienígenas. Mais? 1997. Teve uma seqüência.
58- Os horrores de uma guerra estúpida (se é que existe alguma que não seja), sob os olhos de um jovem recruta americano. Grande filme. Oliver Stone na direção.
59- John Belushi e Dan Aykroyd, interpretam dois irmãos recém saídos da cadeia que precisam arrecadar uma grana para pagar a dívida de um orfanato antes que ele feche. Comédia musical de 1980.
60- Olha o elenco: Xuxa e Sérgio Mallandro. Precisa dizer mais? Romance, “Made In Rainha dos Baixinhos” de 1990.
61- Mais um musical. Uma babá muito especial diverte e ensina seus queridos anjinhos. 1964 com Julie Andrews no elenco.
62- Qualquer um que já se aventurou numa balada “anos 70”, certamente já se deparou com inúmeros elementos desse filme. Um dos (senão o maior) sucesso da carreira de John Travolta. 1977.
63- Denzel Capital dos Estados Unidos Washington, interpreta um boxeador que ficou preso por 20 anos por um crime que não cometeu. O nome completo do longa em português é um clássico da redundância. 1999.
64- Um dos últimos grandes sucessos de público do cinema mundial. A terceira parte do filme estreou a bem pouco tempo nos cinemas brasileiros. Johnny Depp e Orlando Bloom. Mais uma garrafa de rum, por favor.