quinta-feira, 5 de julho de 2007

Memória

O cérebro da gente é um bicho esquisito. Quando você pensa que o conhece, ele vai lá e te surpreende. Como assim? Eu explico.
Dia desses uma amiga minha me passou um link de um joguinho na net chamado Flash Pops. A proposta é simples: ouvir pequenos trechos de músicas e dizer à trilha sonora de qual filme ela pertence. No total, 64 questões esperando pela resposta certa.
Na hora pensei: “não acerto nem um quinto das questões”. Sempre julguei minha memória como fraca, ainda mais quando o assunto é música. Sou daqueles que não lembra nem do nome da canção favorita. Mas, para minha surpresa, não é que numa primeira passada eu matei 64% das questões? O mais curioso é em certos filmes eu simplesmente acertava o nome mesmo sem saber de mais nenhum detalhe do longa. A pergunta é: como é que eu sabia isso? Nem imagino. O fato é que, motivado, eu parti pros 100%. Com uma ajuda aqui e acolá de alguns amigos, e com a intervenção indispensável do Google, fui matando questão por questão até atingir os 100%. Ganhei o dia, tamanha a felicidade de ter “zerado” o joguinho.
Como eu sei que acertar tudo não é fácil, e que exige uma boa dose de paciência, resolvi facilitar a vida de todo mundo. À seguir, estão distribuídas dicas para ajudar quem quer matar todos os 64 trechos de trilha sonora.
Bom divertimento!

Clique aqui para entrar no jogo (dica: Abra numa nova janela ou aba este blog antes de clicar no link para que possa ler as dicas e jogar ao mesmo tempo).

1- Clássicão dos anos 80. Fantasmas, Bill Murray e Dan Aykroyd. Moleza!
2- Não precisa ser nenhum agente secreto para descobrir essa. Fácil, muito fácil.
3- Impossível não acertar! Precisa de dica? Tom Cruise atuando e Brian de Palma na direção.
4- Música tema das olimpíadas? Não. Película de 1981, com Ian Holm e Alice Krige.
5- Todo cara que já namorou algum dia já foi obrigado pela namorada a assistir esse filme, o que não é tão ruim se levarmos em conta que Demi Moore está presente. História de amor metafísica. 1990.
6- Tom Hanks ganhou um Oscar por esse longa. O nome é dito durante o trecho da música. Até eu que não entendo bulhufas de inglês acertei sem dificuldades.
7- Um dos ícones de Alfred Hitchcock. A cena clássica é uma em que a mulher está tomando banho e o cara se aproxima com uma faca. Falar mais do que isso é entregar o nome.
8- Filme que revelou Sylvester Stallone ao mundo. Teve cinco seqüências além do original. Leva um soco quem não acertar.
9- Bervely Hills, Eddie Murphy, tiroteios constantes e piadas cretinas pra todo lado. Comédia policial.
10- Filme brasileiro sobre dois cantores sertanejos. Como a variedade de películas assim é infinita, provavelmente vocês terão dificuldade em acertar (P.S.: estou sendo irônico).
11- Criaturas bonitinhas, que após entrarem em contato com água, viram monstros assassinos. Não, não me refiro à sua namorada na TPM. Comédia com traços de terror. Teve uma seqüência. 1984.
12- Um meteoro entra em rota de colisão com a Terra. A solução? Chamar um perfurador de poços de petróleo (?) e manda-lo para o espaço para que possa abrir um rombo no cometa, introduzir ali uma bomba atômica, e salvar o mundo. Será que sou só eu que achei a história forçada? Bruce Willis, Liv Tyler e Ben Affleck.
13- Futuro próximo, Mel Gibson e motoqueiros desordeiros. Pouco? 1979.
14- Primeira pedreira. Sofri horrores pra descobrir esse. 1957, história de guerra. Envolve uma ponte. David Lean na direção. Difícil, né?
15- Clássico. Quem não se lembrar do filme, deve se recordar do desenho animado. 1963, com direito à indicação ao oscar.
16- Chorei assistindo esse quando era muleque. Envolve uma menina, um garoto, uma funerária no porão de casa e uma porção de abelhas. Lembram do Macaulay Culkin? Pois é... ele estava lá!
17- Diz o ditado que clássicos não morrem. Esse é um clássico trash, que fala de um cara imortal. Coincidência? Com Christopher Lambert e Sean Connery.
18- Um arqueólogo, nazistas e relíquias. Aventura do início ao fim. Com Harisson Ford.
19- Tropa de elite da policia (seria isso mesmo ou estou viajando na batatinha?). O longa é recente, de 2003, mas tinha uma série antiga de TV que já abordava as peripécias desses caras. Com Samuel L. Jackson e Colin Farrell.
20- Essa é difícil. Alunos rebeldes numa escola da periferia americana tocam o terror. O que eles não contavam era com a chegada de uma loira nervosa interpretada por Michelle Pfeiffer. Aí o bicho pegou. 1995.
21- Quem nunca assistiu esse filme na Sessão da Tarde, provavelmente tem menos de um ano, ou faleceu antes de 1986. Comédia com Matthew Broderick.
22- 1952, Gene Kelly. Musical indicado a dois Oscars. Você já deve ter ouvido falar.
23- Musical dos anos 80. 1983 pra ser mais exato. Demorei horrores pra acertar essa. Adrian Lyne na direção. Fácil? Nem tanto...
24- Quem não acertar essa, definitivamente não é desse planeta. Umas das obras primas de Spilberg.
25- Gomes, Tropeço, Vandinha, Mortícia e tantos outros personagens bizarros. Adaptação de um desenho animado. Teve uma seqüência. Raul Julia no elenco.
26- Esse sim tem o direito de ser chamado de clássico. Garoto que aprende a lutar karatê com um senhor japonês. Com Pat Morita.
27- Mais um do Spilberg. Um “bichinho aquático” aterroriza uma cidade litorânea do EUA. 1975.
28- O maior filme de ficção cientifica que eu já vi. Ou melhor: o melhor filme de ficção científica que todo mundo já viu. Direção do genial Stanley Kubrick. 1968.
29- Um épico sobre a luta pela liberdade na escócia, protagonizado por um ator australiano. Contraditório? Não nesse longa de 1995, que inclusive arrebatou o Oscar de melhor filme.
30- Um dos maiores sucessos da história do cinema. Uma história de amor em plena Guerra Civil Americana. Com Clark Gable.
31- George Lucas, efeitos especiais revolucionários, e uma série que já começou na quarta parte. Facílimo.
32- Musical do final da década de 70, retratando adolescentes da década de 50. Sua mãe já deve ter visto. Rock, John Travolta e um bocado de gente dançando.
33- Como é que você vem no meu blog e não mostra respeito, não diz um “olá padrinho” quando entra? Que tipo de visitante é você? Enfim... esse longa é considerado por alguns críticos como o de melhor roteiro da história do cinema. Elenco de peso, encabeçado por nada mais nada menos do que Marlon Brando.
34- Santa falta de memória, leitor! Como é que você não se lembra de que filme pertence essa trilha sonora? Para facilitar: versão do diretor Tim Burton para um dos mais famosos heróis de quadrinhos da história.
35- Comédia romântica protagonizada pela polivalente Julia Roberts há exatos 10 anos atrás. Envolve casamento... e amizade.
36- Um homem de baixo QI que adora contar suas histórias de vida num banco de praça. Minha auto biografia? Não! Oscar de melhor filme, e melhor ator para Tom Hanks.
37- Um dos maiores clássicos-românticos-piégas-brega do início dos anos 90. Kevin Costner e Whitney Houston formaram a dupla de pombinhos.
38- Putz... quem não souber essa merece estar dentro de um navio que bate num iceberg e afunda.
39- Essa é difícil. Nove pessoas, moradoras de uma mesma região, tem seus destinos cruzados. Entre essa turminha estão Tom Cruise, Julianne Moore e Phillip Seymour Hoffman. Ainda não matou a charada? Talvez se você pensar numa chuva de sapos, as coisas fiquem mais fáceis...
40- Mais um do Spilberg. Depois de falar de bichinhos do espaço, e do fundo do mar, é a hora dele investir em “monstrinhos pré-históricos” nesse filme. Um dos maiores sucessos de público dos anos 90.
41- A Jamie Lee Curtis deve ter um arrepio toda vez que ouve essa música. Filme de terror clássico, repleto de seqüências bizarras. Sabe aquele monte de cenas clichês que nem te assustam mais? Pois é... foi aqui que boa parte dessas “fórmulas de susto” surgiram. 1978.
42- O que seria da Sessão da Tarde sem esse filme e suas duas brilhantes seqüências? Michael J. Fox, Christopher Lloyd e um Delorean invocado que marcaram época na história do cinema. Da até vontade de voltar no tempo.
43- O nome desse longa, é sinônimo de “cara galanteador”. Assim como eu (quem vê pensa, né?). Johnny Depp e Marlon Brando. E a mulherada vai ao delírio...
44- Adaptação para o cinema de uma das séries de maior sucesso na história da tv americana. Naves espaciais, aventuras intergalácticas, e um comandante orelhudo. 1979.
45- Musical envolvendo o amor de uma ex-noviça com seu patrão. Julie Andrews, Christopher Plummer e o Oscar de melhor filme. 1965.
46- Quentin Tarantino e sua obra prima. A fórmula do sucesso: misture gângsteres, um boxeador e assassinos profissionais interpretados por um elenco de peso e pronto! Teremos um dos maiores ícones do cinema nos anos 90.
47- Longa com o mais poderoso super-herói já criado. Pelo menos é o que dizem os criadores desse filme. Pode até ser o mais poderoso, mas certamente não é o mais organizado. Afinal de contas, usar cueca por cima da calça não é uma das coisas mais incríveis que um cara pode fazer.
48- Um motorista negro que faz sucesso com sua clientela. Estamos falando do novo fenômeno da Fórmula 1, o inglês Lewis Hamilton? Não, nada disso. Trata-se de um filme de 1989 protagonizado por Morgan Freeman.
49- Outro clássico musical dos anos 80. Um cara da cidade grande sofre preconceitos quando tenta dançar numa cidade de interior. Kevin Bacon é o rapaz em questão.
50- Made In Brazil. Fernanda Montenegro quase levou um Oscar pelo brilhantismo apresentado nesse filme de Walter Salles.
51- Policiais, humor, ação e um elenco quase inalterado durante as 7 sequências que teve. Pronto: eis a mistura que criou um dos ícones da comédia cinematográfica americana dos anos 80. Filme original de 1984. Com Steve Guttenberg.
52- Uma das mais lindas histórias de filmes de animação já feitas. Leões, hienas, tucanos, macacos, insetos e uma dupla composta por um suricate e um javali que roubam a cena. Lembrou? “Os seus problemas, você deve esquecer”.
53- Das antigas. O gerente de um clube noturno reencontra uma antiga paixão que agora namora com seu melhor amigo. Encrenca na certa, né? Um dos filmes mais ousados daqueles tempos, com forte apelo erótico. Ousadia para àquela época, que fique bem claro. 1943, com Rita Hayworthm.
54- A própria música entrega o nome do filme. Se o seu ouvido não é dos mais potentes, fica a dica: dois policiais atrás de um carregamento de heroína. Eles não são bons garotos. Com Will Smith e Martin Lawrence.
55- Toma um “fatality” quem não acertar essa. Adaptação (tosca) de um dos maiores games de luta já criados.1995.
56- Um jovem piloto de aviões e suas aventuras no ar, com um caça, e na terra, com uma loira de parar o trânsito. Tom Cruise, em mais um sucesso dos anos 80.
57- Uma ficção científica metida à comédia com Will Smith e Tommy Lee Jones. Precisa mais? Alienígenas. Mais? 1997. Teve uma seqüência.
58- Os horrores de uma guerra estúpida (se é que existe alguma que não seja), sob os olhos de um jovem recruta americano. Grande filme. Oliver Stone na direção.
59- John Belushi e Dan Aykroyd, interpretam dois irmãos recém saídos da cadeia que precisam arrecadar uma grana para pagar a dívida de um orfanato antes que ele feche. Comédia musical de 1980.
60- Olha o elenco: Xuxa e Sérgio Mallandro. Precisa dizer mais? Romance, “Made In Rainha dos Baixinhos” de 1990.
61- Mais um musical. Uma babá muito especial diverte e ensina seus queridos anjinhos. 1964 com Julie Andrews no elenco.
62- Qualquer um que já se aventurou numa balada “anos 70”, certamente já se deparou com inúmeros elementos desse filme. Um dos (senão o maior) sucesso da carreira de John Travolta. 1977.
63- Denzel Capital dos Estados Unidos Washington, interpreta um boxeador que ficou preso por 20 anos por um crime que não cometeu. O nome completo do longa em português é um clássico da redundância. 1999.
64- Um dos últimos grandes sucessos de público do cinema mundial. A terceira parte do filme estreou a bem pouco tempo nos cinemas brasileiros. Johnny Depp e Orlando Bloom. Mais uma garrafa de rum, por favor.

Balanço 3

Finalmente livre. É assim que me sinto depois de ter enfrentado um dos meses mais estressantes de minha vida. Tudo deu errado, mas no fim das contas, tudo deu certo. Contraditório, né? Acredite: você também estaria assim se tivesse passado pelos mesmos perrengues que passei (ô menino dramático, hein?)
A verdade é que estava contando os dias pra me ver livre das aulas da faculdade. Não que eu não estivesse gostando da experiência. O fato é que estava tendo um trabalho danado para conseguir conciliar as atividades promovidas pelos professores com o resto de minha vida. O resultado dessa situação era um cansaço permanente, e um mau humor persistente. Tudo o que eu precisava era de tempo livre para pôr meu cérebro num balde com gelo.
Não, eu não terminei o curso se é o que querem saber. Apenas tirei férias. Acabei de chegar na metade dos quatro anos previstos de graduação. A partir de agora, só faltam dois.
O fato é que terei um mês inteiro para descansar meus neurônios, e por este blog em dia. Não que ele não esteja. O problema é que duas postagens por mês é um número baixo demais, até para um cara preguiçoso como eu.
De qualquer forma, escrevo para agradecer a todos pelo carinho e a atenção que me dedicaram nesses últimos tempos. Se imaginasse que ter um blog faria com que me aproximasse tanto de velhos amigos e me proporcionasse conhecer tanta gente nova, teria criado um desses há mais tempo.
Minha média de leitores aumentou. Nada que seja digno para uma indicação à Academia Brasileira de Letras, mas já estou bem feliz. Prova de que, por incrível que pareça, tem gente que admira meus devaneios. Isso me deixa feliz, de coração.
Tenho novas idéias para esta espelunca. Tenho pensado em criar “sessões” novas. Sempre quis falar de cinema, por exemplo, mas nunca tive saco (entenda-se por tempo útil) para escrever minhas “críticas”. Verei se nas próximas semanas dou o pontapé inicial nessa nova empreitada. Outro assunto que quero começar a dar mais atenção é referente ao universo dos blogs. Comecei a pesquisar a respeito do assunto, e acho que vale a pena destacar bons representantes da biosfera bloguística periodicamente por aqui. Estou considerando inclusive, a hipótese de trabalhar com esse tema na minha tese de graduação na faculdade (é assim que se fala?). Enfim: devaneios, devaneios...
Outro dos assuntos que merece destaque: fui premiado... duas vezes!! Não, ainda não se trata do Nobel de literatura (veja bem: AINDA não), mas já foram congratulações mais do que bem vindas, que me deixaram extremamente feliz.
O primeiro deles foi oferecido pela minha velha e boa (sem trocadilhos) parceira, a Kaká. A moçoila em questão me concedeu o prêmio de uma das “7 maravilhas da blogosfera”. O nome do prêmio por si só já indica o tamanho da honraria. Ser considerado um dos sete blogs preferidos de uma das mais bem relacionadas blogueiras que eu conheço, é algo sem dúvidas gratificante.
Já o segundo deles, foi oferecido pelo meu novo parceiro, o Oscar. Nós mal nos conhecemos, e ele me entrega o “Thinking Blogger Awards”, prêmio concedido aos blogs que, segundo a teoria, fazem pensar. Mais uma vez, fiquei extremamente feliz. Ser lembrado logo de cara por um novo parceiro, é algo raro, e formidavelmente agradável.
Aos dois, não posso oferecer muito mais do que um clássico porém sincero muito obrigado. Se estivessem por perto, faria questão de pagar uma rodada de tubaína para ambos. Quem sabe um dia isso não seja possível, hein? Agradeço muito a lembrança. Prometo continuar tentando ser digno da companhia e da “audiência” de vocês.
É isso pessoal. Lá se foi a minha criatividade por hoje.
Beijo no cérebro!
Passar bem!




"7 maravilhas da Blogosfera" e "Thinking Blogger Awards": meus dois primeiros prêmios. Nobel de literatura: me agurde!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Comparações

O casal de namorados estava trocando carinhos no sofá enquanto assistia a um Filme na TV. A conversa tinha chegado naquela fase clássica das comparações exageradas. O Pedro tinha dito que a Sonia era a mulher mais bonita do mundo. Ela, fazendo charme, fez pose de descrente. Pedro confirmou o que tinha dito, disposto a levar o joguinho até as últimas consequências. Foi aí que tudo aconteceu.

-Eu sou a mais bonita, então?

-Para mim não existe mulher mais linda!

-Duvido...

-Pode acreditar no que eu disse. Jamais mentiria para você!

-Eu sou mais bonita que a Vera Fischer?

-Quem? Aquela velha? Não tem nem comparação...

-E com a Jéssica Alba? Eu sou comparável a ela?

-De jeito nenhum... ela é só uma garota! Você é uma mulher completa!

-Hummm... sei! E da Sandra Bullock? Você sempre gostou dela que eu sei!

-Gostava dela até conhecer você!

-Hunf... vou fingir que acredito!

-Pode acreditar, meu bem! Não existe mulher nesse mundo melhor do que você!

-Posso fazer uma lista então?

-Manda ver...

- Lindsay Lohan?

-Feia!

-Jessica Biel?

-Magrela!

-Eva Mendes?

-Mó baranga!

-Scarlett Johansson?

-Comparada a você não dá nem pro gasto!

-Angelina Jolie?

Silêncio. Pedro parece ter ficado impotente diante da comparação. Aquílo era golpe baixo. A Sonia era linda, para ele não havia melhor mulher no mundo, mas comparar com a Jolie não dava. Era outro nível. Estava preparado para tudo, menos para a Jolie.

-E então Pedro? Ficou mudo porque?

-Não dá amor... com ela não dá!

-Como assim?

-A Jolie... ela é melhor que você!

O clima ficou meio chato, mas Sonia superou o momento. Não sem antes proibir qualquer tipo de menção às obras cinematográficas ou citação à simples figura da atriz em questão. Brad Pitt também não entrava naquela casa, para evitar uma possível associação de idéias indevida. Pedro ficou feliz que tudo tenha acabado bem, e jurou para si mesmo que nunca mais ia se meter naquele tipo de comparação. Com a Jolie, definitivamente, não se brinca.

domingo, 20 de maio de 2007

O blog ainda pulsa

Aviso aos navegantes: sim, eu estou vivo. Digo isso pois foram inúmeras as reclamações acaloradas que surgiram nas últimas semanas a respeito da falta de atualização dessa espelunca que eu chamo de blog. Fiquei surpreso. Só faltaram ligar aqui em casa dando as condolências para minha família. Bastou eu ficar algumas semanas sem escrever aqui, para que uma porção de gente achasse que tivesse acontecido algo de errado comigo. Algo como um acidente, um seqüestro ou uma abdução. É nessas horas que a gente percebe a quantidade de leitores que tem. E admito, num misto de orgulho e surpresa: não são poucos.

Porque não atualizei? Pelo tempo, ou melhor: pela falta dele. Acreditem: minhas últimas semanas foram frenéticas, estressantes. Trabalho, estudo e vida pessoal se misturaram, e foi difícil arranjar horas vagas para o exercício dos meus devaneios literários frustrados. Aliás, a última coisa que eu pretendia ver nas minhas horas em casa era um computador. Entrava no meu quarto cabreiro, virando a cara para não ter que olhar para aquela maldita CPU.

As idéias surgiram como sempre. Algumas, infelizmente, não agüentaram a espera e foram embora antes que eu pudesse eterniza-las no blog. Com sorte, talvez elas voltem um dia. Outras ainda continuam guardadas, e estão na fila para serem produzidas por essa minha imaginação doentia. Só me faltam agora, horas livres e ânimo.

Não sei se vocês já pensaram nisso, mas bem que poderia existir uma loja que vendesse tempo. Segundos, minutos e horas embaladas em pacotinhos, prontos para serem levados para casa por todas aquelas pessoas que não dão conta de fazer tudo o que precisam só com as 24 horas diárias que tem a sua disposição. Aí sim seria justo: juro que torraria meu salário na aquisição de dias livres para pôr todos os meus planos em prática.

Eu sei que não existe. Mas não custa nada sonhar.

-Olá!

-Olá...

-O que o senhor deseja?

-Preciso de tempo!

-De quanto precisa?

-É pra terminar um trabalho... acho que umas duas horas bastam!

-Não quer levar mais alguns minutos pra garantir?

-Sabe que eu acho uma boa idéia? Quero mais uns 30 minutos!

-Boa escolha! Mais alguma coisa?

-Não... só isso mesmo!

-Embalo para presente?

-Não! É pra uso próprio!

-Ok... o senhor já tem o nosso cartão?

-Não!

-Gostaria de fazer um? Com ele o senhor acumula segundos que podem ser trocados por minutos conforme for lhe usando! Quanto mais você compra, mais minutos ganha!

-Eu não gosto muito de cartões!

-Mas não é só isso! O senhor ainda concorre a uma bolada de um ano livre todo mês!

-Não, obrigado! Fica pra próxima...

-Ok... Aqui estão suas horas!

-Ótimo... quanto lhe devo?

-Isso...

-Tá caro hein?

-Está sim! Essa queda do dólar está elevando muito os preços!

-Pois é, estou vendo! Isso daqui está pela hora da morte!

-Tempo é dinheiro! Mas o produto é de qualidade!

-Tomara que sim! Por esse preço tem que ser mesmo! Aqui está o pagamento... obrigado!

-Disponha! Tenha um bom dia!

-Ei, moço!

-Sim?

-Essa hora aqui só tem 53 minutos!

-Deixe-me verificar, com licença!

-Pode ver!

-Realmente essa hora está mais curta do que deveria ser! Perdão! Deixe-me trocar ela pro senhor!

-Ok!

-Aqui está, desculpe o transtorno!

-Imagina... acontece! Tenha um bom dia!

-Um bom dia para o senhor também!

Enquanto esse dia não chega, aproveito minhas horas da melhor forma possível. É bem verdade que tenho me dado ao luxo de abrir mão de cumprir algumas tarefas ultimamente só para poder colocar meu cérebro num balde com gelo e relaxar. Se não fizer isso eu entro em pane.

Sendo assim, agradeço a todos os amigos e amigas que me visitam e me incentivam a seguir em frente com esse blog. Me desculpo também, com todos os meus blogueiros parceiros. Quase não tenho feito visitas, nem deixado comentários. Peço que tenham paciência. Logo voltarei a dar a atenção merecida a todos os que gostam de dar uma passadinha por este espaço. É questão de honra!

Para ilustrar minha atual condição de desespero temporal, me despeço com um velho sucesso dos mineiros do Pato Fu. A Música “Sobre o Tempo”, ao vivo, tocada em dueto com a banda “Trash Pour 4” no fim do ano passado em São Paulo.

Se demorar a voltar, não se preocupem. Provavelmente estarei soterrado por aí em meio a tarefas.

Isso me lembra aquela velha marchinha de carnaval....

“Ei! Você aí! Me dá uma horinha aí, me dá uma horinha aí!”


segunda-feira, 30 de abril de 2007

O último dia

Estava tarde, passava das duas da manhã. Carlos, com sempre fazia, rumava para a cama depois de mais um longo dia de trabalho. O humor, como sempre, não era dos melhores. Se sentia explorado, e estava cansado disso. No escritório era quem mais trabalhava, e quem menos era reconhecido pelo seu esforço. Sempre tinha sido assim. Já tinha perdido a conta das vezes em que toda a sua dedicação tinha sido posta em segundo plano para valorizar as virtudes de outras pessoas, que a seu ver, nunca tinham chegado sequer aos seus pés. Seus pais sempre tinham dado mais atenção ao seu irmão mais velho do que a ele. Seus professores nunca lhe davam ouvidos. Seus colegas fizeram dele uma espécie de fardo, que carregavam para todo lado mesmo sem dar muita bola. A vida tinha sido cruel com Carlos. Vivia solitário, numa casinha pequena que tinha alugado, sem muitas perspectivas de um futuro animador, nem amigos.

Tinha feito hora extra. Estava cansado. Certamente não receberia nem um tostão a mais pelo esforço e muito menos o reconhecimento de seu chefe tirano. A frustração escorria pelos seus poros, podia sentir. O melhor que tinha a fazer era dormir, para ver se o seu sono seria capaz de apagar de vez aquele sentimento de derrota. Amanhã, tudo seria diferente.

Mantinha os olhos fechados. Se esforçava para esvair de sua mente os pensamentos ruins que lhe atormentavam por todos os lados. Só assim conseguiria repousar. O sono estava quase lhe batendo à porta quando um calafrio repentino percorreu toda a extensão de sua espinha. Abriu os olhos repentinamente, assustado. E eis que para seu espanto ainda maior se deparou com uma figura que lhe deixou em pânico: uma moça jovem, bonita, vestida com um grande sobretudo preto entreaberto, de onde se podia enxergar, mesmo que casualmente, sua silhueta bem definida. Seria uma visão das mais lindas em outras circunstâncias, mas naquele caso, Carlos se assustou. Como tinha entrado, o que fazia ali? Perguntas diversas pipocavam na cabeça do rapaz, que sem ação, apenas levantou as cobertas como se tal recurso lhe servisse de escudo.

A moça continuava ali, estática, observando a cena. Um sorriso daqueles de canto de boca sobressaía-se em sua expressão. Os dois grandes olhos negros que contrastavam com o resto de seu rosto claro, quase pálido, fitavam cuidadosamente a ação de Carlos. Este por sua vez continuava perdido, sem saber ao certo qual atitude tomar.

-Não se assuste!

A voz da garota ecoou pelo quarto. O timbre era grave, seguro, e passou confiança ao homem que tentava se esconder por debaixo das cobertas.

-Que... quem é você?

-Uma amiga!

-Eu não tenho amigos!

-Ok...

-O que quer de mim? O que está fazendo no meu quarto?

-Calma... uma pergunta de cada vez! Bem... essa parte de explicar é sempre a mais chata! Em síntese, posso dizer que vim levar você!

-Levar? Levar pra onde?

-Ah... você sabe! Levar... entende? Levar pro “outro mundo”!

Carlos entrou em pânico.

-Você vai me matar?

-É... tecnicamente sim! Na verdade não é bem isso, mas à grosso modo, posso dizer que eu vou te matar sim! Tomara que os seus advogados não me ouçam! Hahahahaha

A moça gargalhou sozinha, achando graça da própria piada, enquanto o rapaz lhe observava atônito, num misto de pavor e impotência. A casa treme inteira.

-Olha... pode levar tudo, ouviu? Minha TV, meu computador, meu salário que está na gaveta de estante... só que, por favor, não me mate!

-Qualé cara? Não me subestime! Seus pertences não me interessam!

-Então o que você quer aqui afinal de contas?

-Já disse! Vim pra te levar comigo!

-Você é uma serial killer né?

-Larga mão de ser burro! Se eu fosse uma serial killer sua cabeça já estava longe do seu pescoço no instante em que você me viu!

-Então porque que é que você quer me matar?

-Querer eu não quero. É o meu emprego. Eu apenas cumpro ordens!

-Ordens? De quem? Olha... seja lá quem for que eu irritei, e que quer me matar, diga que eu me arrependo e que se eu vou ficar de bico calado!

-Já te disse que essa não é a questão. Você tem que morrer e pronto! Não existe solução... sua hora chegou!

-Ta! Peraí: quem é você afinal de contas?

-Você que saber que sou eu? Hehehehe... essa é sempre a melhor parte!

A moça, visivelmente empolgada, dá dois passos para trás, muda as feições até então simpáticas para um ar mais sombrio, da uma pigarreada para calibrar o tom de voz ideal e exclama sombria:

-Eu sou a Morte!

Carlos não se surpreende.

-Morte? Conta outra!--Retruca Carlos, incrédulo.

-Porra! Eu me produzi inteirinha, ensaiei por milhares de anos consecutivos, pra um cara como você desdenhar da minha cara? Isso é frustrante!

-Pare com esse papo e me diga quem é você, antes que eu me irrite e acabe te machucando!

-Hahahaha... você? Me machucar? Essa foi a melhor piada da noite! Hahahaha

-Pare com isso! Eu to avisando!

-Escuta aqui: eu sou a Morte sim, ta sabendo? Ta surpreso com o que? Como achou que eu era? Parecida com a Carmem Miranda?

-Isso é lenda!

-Lenda o cacete! Porra... a gente trabalha desde o princípio da humanidade e nem assim é reconhecido! Devia ter ficado no serviço burocrático!

-Sai daqui! Me deixe em paz!

-Não adianta ficar de birra. Sua hora chegou! Resistir é inútil!

-Você quer mesmo que eu acredite que você é a Morte?

-Não precisa acreditar... só colabore comigo! Daqui a meia hora vai ter um acidente de carro do outro lado da cidade e eu preciso estar lá!

-Isso é loucura!

-Não Carlos! Não é loucura!

-Você sabe o meu nome!

-É claro que eu sei! Como é que você acha que eu descubro quem devo matar? Pelo cheiro?

-Eu estou ficando assustado!

-Não se assuste! Vai ser até bom sabia? As coisas lá no paraíso serão bem mais divertidas do que são aqui! Esse mundo está perdido sabia? Nunca trabalhei tanto... e dizem que o chefe já falou que do jeito que as coisas andam, isso daqui não vai durar muito não!

-É? Bem... eu estou surpreso! Sempre imaginei que você, a Morte, seria diferente!

-Eu era... usava um vestidão preto com um capuz grandão. Era o uniforme. Nem dava pra enxergar a minha cara! Usava uma foice também... mas isso foram em outros tempos!

-E porque mudou?

-Tudo evolui né? Sei lá... aquílo estava meio primitivo demais! Quem é que usa foice hoje em dia? Ninguém! Foi por isso que eu aderi a injeção letal! Fácil, rápido e limpo! É mais contemporâneo, sacou? Além disso eu evito a gritaria do pessoal. Aquela foice assustava muito!

-Injeção letal?

-Só simbolismo! O regulamento exige que eu use algum tipo de “instrumento letal”. Não sou eu quem faço as regras... se eu quiser é só eu dizer “morra”, que a pessoa desencarna imediatamente!

-E porque você não faz isso direto, ao invés de usar a injeção?

-E onde está a poesia nisso?

-Em nenhum lugar, eu acho!

-Pois é... tenho uma reputação a zelar!

-Mas eu sou jovem demais! Mal cheguei nos meus tempos áureos!

-Seus tempos áureos já se foram. Faz tempo!

-Poxa... não é justo! Eu sempre tentei ser um cara legal! Porque é que você não vai atrás do Bush? Ele sim devia morrer!

-A hora dele ainda não chegou. Infelizmente! Quando ele morrer vou tirar férias! Ficarei um bom tempo sem ter trabalho depois que ele se for desse mundo! Mal vejo a hora que isso aconteça...

-E eu tenho como recorrer a isso? Tenho uma segunda chance? Sei lá... deve ter algum tipo de recurso!

-Iiii... sai dessa! Essa história de segunda chance é baboseira!

-Mas eu li que...

-E você acredita nisso? São os escritores que ficam inventando essas mentiras! Odeio esses caras... quem lê esses trecos acha que eu sou lesada! Ninguém valoriza o meu trabalho!

-Mas...

-E quer saber o que é o pior? Os caras que fazem filmes! Tem um tal de “Premonição” que diz que eu deixei escapar uma porção de gente que tinha que morrer numa explosão de um avião! Onde já se viu? Isso é uma piada! Ninguém foge de mim, ouviu bem? Ninguém!!

A casa de Carlos treme completamente.

-Calma... não precisa gritar!

-Desculpe! Mas é que essas situações me deixam puta da cara, entende?

-Acho que sim... é mais ou menos como eu me sinto!

-Ah é?

-É sim! Nunca ninguém me dá valor! Meu chefe por exemplo: vive pisando em mim... trabalho feito um louco, estudei feito um condenado, e ele prefere promover um mauricinho idiota que é puxa saco dele!

-Sério? Que pilantra!

-Pior que é sério! E não é de agora não: meus pais também sempre me subestimaram... acho que eles acharam que eu nunca conseguiria ser ninguém na vida! O pior é admitir que, no fundo, eles estavam certos!

-Não diga isso não! Você é um bom rapaz!

-Não sou não! Nunca tive amigos... amigos de verdade sabe?

-Caramba!

-Também nunca tive namorada! O mais perto que eu já cheguei de uma mulher bonita foi de você!

-Xiiii! Só lamento! Nem mulher eu sou!

-Mas você é igualzinha a uma... e das boas!

-Pois é... mas isso é tudo maquiagem! O pessoal achou por bem colocar uma cara mais simpática em mim, entende? Até a Morte tem que ser pop. A concorrência é desleal hoje em dia!

-Sei!

-Poxa cara... que triste sua história!

-Realmente é triste! Nunca fui valorizado!

-Quer saber o que você devia fazer? Sair dessa neura! Tem que deixar essa vida miserável de lado e ir à luta, entende? O mundo está cheio de boas oportunidades por aí esperando por pessoas esforçadas!

-É?

-É sim! Eu ando muito por aí, como você deve imaginar, e sei do que estou falando! Para começar, você devia dar uma repaginada no visual, sabe? Saia por aí, paquere umas gatinhas! Ser autoconfiante faz bem! Deveria ter mudado de emprego, ido atrás de novos horizontes! Camarão que dorme a onda leva!

-É verdade... pensando bem, acho que eu devia ter sido mais ousado!

-Pois é! Mas nem sei porque é que estou te aconselhando! Afinal de contas, você vai morrer daqui a pouquinho! Hahahaha

-Então quer dizer que esse foi o meu último dia?! Os últimos momentos da minha vida foram fazendo hora extra no trabalho! Quer saber? Na verdade você está me fazendo um favor! Ainda bem que apareceu!

-Gostei de ver! Tem que ver isso com otimismo!

-Lá no céu finalmente serei valorizado! Depois de todos esses anos, terei meu valor reconhecido!

-Claro que sim!

-Mal vejo a hora! Vamos dona Morte! Estou pronto! Pode me levar!

-Ok... Lá vou eu!

A Morte tira de dentro de seu sobretudo um tubo transparente com uma longa agulha. Era a injeção letal, o novo recurso que veio para substituir a já ultrapassada foice. A hora de Carlos, o jovem Carlos, finalmente tinha chegado. As feições da carrasca tinham mudado novamente. O aspecto sombrio de sua face tinha voltado, e com uma voz cavernosa, ela proclama o derradeiro veredicto, sob o olhar atento e ansioso do réu.

-Eu, a Morte, declaro que é chegada a hora de você, a quem os demais humanos chamam de Carlos Euclídes Timério, partir desse mundo!

-Tibério!

-Como?

-Meu nome é Carlos Euclides Tibério, não Timério!

-É?

-É sim... mas não tem problema, todo mundo erra! Pode continuar!

-Peraí!

De dentro de seu sobretudo, a Morte retira um "Palmtop". Outra evolução tecnológica implementada em sua profissão. Concentrada, mexe no aparelho durante alguns instantes, sob o olhar impaciente de Carlos que não entende a situação. O inconformismo da carrasca era visível.

-Droga! Odeio quando isso acontece!

-O que foi?

-Eu errei!

-Errou?

-Sim... o Carlos que eu tenho que levar mora do outro lado do país! Aquele já passou dos 80 anos. Eu ainda não me acostumei com esse sistema. Nos tempos do pergaminho eu não errava uma sequer. Droga! Essa porcaria de tecnologia está acabando com a minha reputação!

-Então quer dizer que...

-Você está livre! Sua vida ainda vai durar bastante!

-Mas...

-Não tem "mas" cara! Não é você e pronto!

-Tem certeza que não tem como você me levar junto?

-Se liga! Você tem uma vida inteira pela frente!

-Mas eu sou tão infeliz!

-Aí já não é o meu departamento!

-Me leva, vai? Se quiser eu me mato!

-Ta maluco? Eu já trabalho feito uma louca e você ainda quer me dar mais tarefas? Já não agüento mais fazer hora extra! Eu to te avisando! Se você se matar eu te mato, seu pilantra!

-O que eu posso fazer?

-Viva, cara! Não tem outra alternativa. Lembra dos meus conselhos?

-É... acho que sim!

-Vá à luta! Tem muita coisa pra acontecer na sua vida... e coisas boas! Procure as pessoas que te valorizam, e seja feliz!

-Esse papinho é meio clichê né?

-E quem falou que a Morte é original? Minha função é levar as pessoas, não dar conselhos!

-É... acho que você está certa!

-É claro que estou! A Morte não erra. Quer dizer... eu errei hoje, mas não fui por culpa minha, você viu, né? Foi o Palmtop! Foi o maldito do Palmtop!!!!

-Ok, ok! Não precisa gritar, por favor... a casa está tremendo inteira!

-Desculpe! Eu tenho que ir viu? Tenho muito trabalho a fazer ainda!

-Ok! Foi um prazer te conhecer viu?

-Imagina... o prazer foi meu!

-A gente se vê por aí?

-Com certeza! Afinal de contas sua hora vai chegar um dia! Hahahahahahahahaha

A gargalhada sinistra faz com tudo trema, como em um terremoto.

-Podia rir mais baixo? A casa ainda está tremendo!

-Desculpe!

-Ei, antes de ir... posso te fazer uma pergunta?

-Claro!

-O Elvis morreu?

-Hehehe... a morte jamais revela seus segredos!

E eis que a moça desaparece diante dos olhos de Carlos.

Moral da história: tome cuidado ao ler os nomes completos das pessoas. Você pode matar a pessoa errada.

sábado, 28 de abril de 2007

Uma senhora blogueira

As pessoas em geral tem uma mania chata de tentar colocar tudo dentro de rótulos pré definidos. Isso me irrita. Todos tem que seguir lógicas e regras intrínsecas, que não são lei, mas valem tanto quanto uma delas. Confuso? Pois bem, explico melhor: quantas vezes você já ouviu a ladainha de que “fulana é nova demais pra namorar ciclano”. Essa é clássica. Não existe lei nenhuma que proíba uma mulher mais jovem de namorar um homem vários anos mais velho e vice-versa, mas mesmo assim, tal prática é vista com um certo preconceito por todos. Esses consensos, que se espalham por entre as entranhas da sociedade, estão de tal forma alojados dentro de nós, que as vezes nos vemos escandalizados com atos alheios que nem ao menos devíamos questionar.

Sou um daqueles caras à favor do livre arbítrio. Cada um faz o que bem entender, desde que não viole as regras fundamentais que norteiam nossa sociedade. Não sou um anarquista, apenas gosto de seguir a filosofia do “cada um com seus problemas”. Se sua atitude lhe faz se sentir bem, e não influencia negativamente o bem estar alheio, então porque não fazer? Os preconceitos que se danem. O importante é ser feliz sem ligar para o que os outros pensam.

Pois bem: toda essa minha filosofia barata de botequim (e olha que eu nem bêbado estou), foi só para dar suporte à descoberta de uma informação que me deixou extremamente satisfeito. Se estiver certo, você também vai se surpreender.

Olive Riley é uma australiana que vive em um asilo de sua terra natal. Até aí tudo bem. O interessante na história, é que essa “moça” tem 107 anos de idade e, pasmem, um blog que atualiza constantemente. Chocante não?

A pergunta (que certamente você deve ter feito) é a seguinte: ela não está velha demais para ter um blog? Pelo visto não. Com a ajuda de um dos funcionários da casa de repouso onde vive, Olive mantém o www.allaboutolive.com.au ativo, à espera da curiosidade de internautas do mundo inteiro. A iniciativa foi um sucesso. Depois que a existência de seu site foi divulgada pela imprensa, o número de visitantes chegou à proporções capazes de fazer o mais popular dos blogueiros ficar com inveja.

Acessei o espaço na semana passada para conhecer melhor o “cantinho” que Olive mantém na rede. Experiência gostosa. Não existe nada de muito empolgante no blog, porém tudo é muito simpático e bem organizado. Comparando à grosso modo, é quase como uma “casa da vovó” virtual. As postagens são curtas, e existem fotos antigas por todo lado. Como o meu inglês não é lá essas coisas, não posso fazer uma análise das mais eficazes em relação aos textos da moça. Mesmo assim, a visita valeu a pena. O simples fato de conhecer alguém que não liga para a afirmação de que “fulana é velha demais para fazer tal coisa”, é algo raro, e digno de destaque.

A parte chata da história é que tentei visitar o blog hoje e não tive sucesso. Pode ser que tudo não passe de um problema técnico, e que depois de algum tempo ele volte à funcionar normalmente. Pelo sim ou pelo não, deixo o link aqui. Vale a pena conferir a disposição dessa blogueira, que não está nem aí para o que os outros pensam.

E você? Está se achando velho demais para fazer certas coisas? Melhor rever seu conceitos.

Olive Riley e seu blog: confissões de uma jovem senhora de 107 anos.

domingo, 22 de abril de 2007

O sexo do brasileiro

Saiu essa semana no jornal. Ou melhor: no jornal, na TV, na internet e no rádio. O brasileiro é o segundo colocado no ranking mundial dos povos que mais praticam sexo no mundo. Só perdemos, quem diria, para os gregos (ler matéria no site G1 clicando aqui). Segundo a pesquisa, os brasileiros praticam “as vias de fato” duas ou três vezes por semana, 154 vezes por ano, com uma média de 21 minutos por relação. É sexo para estrangeiro nenhum botar defeito.

Entretanto, essa mesma pesquisa apresentou um dado interessante. Se somos o segundo do ranking no quesito quantidade, no ponto de vista da qualidade somos considerados “medíocres” (matéria completa pode ser lida clicando aqui). Apenas 42% dos participantes da tal pesquisa afirmaram estar satisfeitos com sua vida sexual. Ou seja: menos da metade dos entrevistados.

A imprensa bem humorada fez a festa com os dados. Piadinhas e tiradinhas sarcásticas não faltaram na mídia do país inteiro. Cheguei a ver uma enquete num site perguntando quem mentia mais: o brasileiro, ou o grego.

Dá pra imaginar?


-Ué... já acabou?

-Já sim! 23 minutos contadinhos... até passei do ponto!

-Mas estava só começando a ficar gostoso!

-Eu sei... mas tenho que manter a média nacional!

-E custa tentar superar a marca?

-Custar não custa, mas o jogo já esta começando e você não vai querer que eu perca meu futebolzinho, né?

-Eu to carente amor...

-Eu já fiz a minha parte!

-Mas eu não me satisfiz!

-Nem eu... aliás desde que nos casamos, satisfação é algo raro nas nossas relações!

-Ô meu bem... vamos apimentar nosso amor, vamos?! Eu sei que aí dentro desse seu pijama ainda se esconde o mesmo fogo do tempo em que nos casamos!

-Você viu onde está o meu chinelo?

-Ei... lembra do que me falou no dia em que a gente se casou, antes da nossa primeira noite de amor?

-Como assim primeira? Nossa primeira vez foi no banco de trás daquele Chevete no aniversário do seu vô e...

-Eu falei da primeira vez depois de casados!!

-Ah ta...

- E então, lembra do que me disse?

-Lembro...

-O que foi?

-Disse que ia transar contigo até não sobrar mais nada! Que íamos fazer amor até eu te deixar só no bagaço!

-É... isso mesmo! Que memória boa...

-Pois é!

-E agora? Me olhando aqui, 26 anos depois, completamente nua, deitada na sua cama olhando pra você... o que tem a me dizer?

-Missão cumprida! Eu realmente acabei com você!

-Aiiiiiiiii!!!

-Vou fazer o que Matilde? O tempo passou!

-Mas bem que você podia ser mais esforçado, né?

-Só Deus sabe o esforço que eu faço essas três vezes por semana! Minha coluna já foi pro pau faz tempo!

-E a culpa é minha agora?

-Não... imagina! A culpa é do seu sedentarismo!

-Aiiiiiiii!!

-Cadê o meu chinelo Matilde?

-Olha... se é tão ruim assim, se eu sou tão ruim de se aturar, porque é que você ainda faz questão dessas transas três vezes por semana?

-Porra Matilde! O brasileiro tem uma reputação a zelar! Somos vice-campões mundiais na quantidade de sexo!

-Quer saber? Chega! Você é um insensível! Teremos greve de sexo a partir de agora!

-Você não resiste Matilde, eu te conheço... onde é que está o meu chinelo, hein? Que droga!! O jogo já está começando!

-Resisto sim... aliás eu já não me satisfaço com você faz tempo!

-Conta outra Matilde... se fosse tão ruim você não estava aí choramingando, pedindo mais!

-É ruim sim... bem ruim! Aliás você já não está lá essas coisas faz tempo, viu?

-Peraí, peraí, peraí! Não venha com baixaria agora! Acha que eu não escuto os seus gritinhos enquanto eu estou...

-Tudo fingimento!

-Poxa Matilde! Não vem com essa história agora! Eu sei que você gosta!

-Você viu o meu roupão por aí?

-Não muda de assunto... vem cá, me explica esse papo de fingimento!

-Outra hora Agenor... minha novela já vai começar!

-Larga mão Matilde! Fiquei curioso agora... me explica direito essa história!

-Ei! Você sabe onde é que esta o telefone do Nikos?

-Nikos? Aquele meu amigo grego que vinha nos visitar de vez em quando?

-Sim...

-Porque é que você quer o telefone dele?

-Por nada... deu saudade! Acho que vou convidar ele pra vir jantar aqui em casa qualquer dia desses!

-Pra que?

-Sei lá... quero conhecer de perto um campeão mundial!

-Matilde... escuta aqui Matilde! você está me sacaneando! Isso não se faz Matilde!

-Calma benzinho... o seu jogo já não começou não?

-Deixa pra lá... é só a primeira partida da final, nem é tão importante!

-Então ta!

-Amoooorrr...

-Anh?

-Vamos voltar pra cama terminar aquílo que tínhamos começado?

-Ué? Pra quê?

-Ah... me deu vontade!

-Acho que não!

-Ahhh Matilde! Eu to afim...

-Sabe o que é Agenor? De repente me deu uma dooooorrr de cabeça...


Eis tudo.